As festas Clash Club já vêm sendo tradição mensal na noite portuense. Caracterizadas por uma sonoridade electrónica da pesada, resolveram nesta ultima edição tirar férias do Teatro Sá da Bandeira e descer a Avenida da Boavista até ao Indústria, um dos mais históricos clubs da cidade do Porto – uma escolha de peso para a realização deste evento, com um sistema de som e de luz superior ao local onde é habitual decorrerem estas festas.
O cartaz apontava para uma estreia em solo nacional de Proxy, bem como live act de Shadow Dancer e um dj set dos nossos Twin Turbo. No entanto, o facto do Indústria se situar na Foz e não no hot spot do momento na Invicta, a Baixa, amputou logo de início alguns dos eventuais club goers. Muitos dos frequentadores desta festas, desconhecendo o passado, ainda que recente, do Indústria e a importância que este tinha na agenda cultural da cidade nos tempos em que conseguia manter o seu cartaz em paralelo com o do Lux, torceram desde logo o nariz a este local, que actualmente serve de pouso a festas para surfistas e noites “Rabo de Saia”.
Ironicamente, a primeira coisa em que se repara após a entrada neste club será um cartaz do projecto “Estamos com a baixa” posicionado junto ao bengaleiro. Infelizmente, a força de vontade do Indústria em estabelecer tréguas com o seu rival, munido nessa noite com o evento “alta baixa” não foi suficiente para encher a pista, ainda que mais pequena que o Sá da Bandeira.
Coube aos Twin Turbo a tarefa de receberem os convidados. Temas de Dj Mujava, Tiga e Maral Salmassi animaram a pista que até às 3h00m se encontrava vazia, hora a partir da qual era possível observarem-se alguns centrões desinibidos que se aventuravam nesta a fim de começarem a festa.
Eram 3h30 quando os irmãos Shadow Dancer subiram ao palco. Presente na t-shirt de Alan Farrier estava o símbolo da Commodore, não fossem as músicas dos jogos do commodore 64, juntamente com os discos de Jean Michel Jarre, a fonte de inspiração do duo. O live act prosseguiu com os dois irmãos concentrados no laptop a correr o software Ableton live. A resposta do público mostrou-se oscilante durante o espectáculo, alternando entre momentos de empatia e períodos de descanso não-intencional. Ainda assim, o tema «Soap» conseguiu soltar alguns assobios e energia da audiência.
Já na recta final da actuação de Shadow Dancer, Proxy aparece com um amigo, possivelmente feito quando chegou a Portugal (somos conhecidos por ser um povo caloroso) para montar o seu material. Uma sorte este amigo de Proxy perceber de sistemas áudio, considerando que muita gente tem dificuldade em ligar um simples i-pod a um amplificador. 4h30m e eram horas de passar o microfone ao colega de profissão. Surgiu então um silencio constrangedor indicando que algo correu mal. Afinal, o amigo de Proxy não era assim tão bom com equipamento áudio. O silêncio prolongou-se e o público começou a mostrar sinais de impaciência. “Proxy vem prá Próxima” ouviu-se um comediante de garagem gritar.
Na tentativa de abafar os assobios agressivos que saltavam da assistência e porque a correcta ligação do laptop de Proxy ao sistema de som do Indústria poderia levar horas, foi posto a tocar um cd de temas próprios para serem tocados à 1h da matina, quando os early birds se encontram a pousar casacos no bengaleiro – entretém (mais ou menos) mas não é Proxy. Mário de Carvalho, o patron do club desceu à pista para ver o que se passava. A mão da experiência deste senhor da noite portuense conseguiu pôr o soundsystem pronto para outra, possibilitando a Proxy começar o seu set ao fim de 5 minutos de silêncio (que nestas situações, como o amigo cluber imagina, parecem uma eternidade).
Uma vista de olhos pela sala mostrava agora um espaço mais preenchido, factor que poderá ser justificado pela afluência que o Indústria apresenta a altas horas da madrugada. Ainda assim, podia-se verificar que o público se encontrava concentrado na frente da pista.
A postura de Proxy, ao controlo do seu laptop a correr uma vez mais Ableton Live, mostrou-se bem mais descontraída que as de Shadow Dancer, havendo inclusive tempo para interacção com a audiência. Proxy é capaz de conduzir um set, dançar e acenar às meninas da fila da frente! Mera postura proveniente da emoção por visitar o Porto pela primeira vez ou 1 Gb de RAM a mais na sua máquina? O público apresentou-se bastante animado durante o concerto, sendo tal mais evidente sempre que era tocado um tema conhecido. Foi com «Raven» que atingiram o limiar da expressividade, acompanhando a música com a voz (alguém se lembra da 7 nation army em loret del mar?) tendo esta excitação culminado numa breve sessão de mosh.
O espectáculo terminou às 5h45m. Proxy podia agora arrumar o material que tanto trabalho deu a montar e ir conversar com os seus colegas de etiqueta sobre essa tal de francesinha que comeram ao jantar e se o upgrade do live 7 para o 8 compensa, ou é apenas uma boa maneira de deitar 150€ fora.
Como já vem sendo tradição nas noites Clash Club, os últimos são sempre os primeiros, cabendo aos Twin Turbo a honra de fecharem a festa.
www.myspace.com/homeofshadowdancer
www.myspace.com/useproxy
www.myspace.com/clashclub0
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