Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº28, Fevereiro, 2006

Coisa Ruim

Estreia com o apoio da RDB.

Quando, a princípio de Janeiro, se soube que um filme português teria honras de abertura da competição internacional do Fantasporto 2006, logo começou a haver um burburinho em torno dele, mesmo não se fazendo a mínima ideia do que se tratava. Afinal, do que se tratava era de uma “Coisa Ruim”, primeira longa-metragem dos realizadores Tiago Guedes e Frederico Serra. A estreia faz-se só a 2 de Março, mas nós avançamos com uma antevisão e até sorteamos bilhetes para a antestreia.

Feita que estava a escola nas curtas-metragens e em filmes para televisão, os realizadores lançam-se agora no formato longa-duração com um filme cujo argumento foi escrito por Rodrigo Guedes de Carvalho, jornalista e irmão de Tiago Guedes, e que conta nos principais papéis com Adriano Luz, Manuela Couto, José Afonso Pimentel, Gonçalo Waddington, Elisa Lisboa, José Pinto e Miguel Borges.

A julgar pelo visionamento do filme, o burburinho tem razão de ser. Na verdade, acredito que esteja aqui uma boa oportunidade de se fazer um verdadeiro sucesso de bilheteira sem recorrer a sexo… uma vez que a religião é uma constante.

“Coisa Ruim” começa com uma situação aparentemente normal; uma família lisboeta recebe como herança uma casa numa aldeia perto da Serra da Estrela e, devido à pressão exercida pelo chefe de família, decide mudar-se, abandonando tudo a que estava habituada até então. Todos partem, menos o filho mais velho que se prepara para um exame do curso de medicina. É então que começa a verdadeira acção do filme.

Entre exorcismos e superstições tipicamente portuguesas, “Coisa Ruim” contrapõe esta realidade, que todos associam a locais perdidos no interior do país e a mentalidades fechadas, com pessoas cujos hábitos se baseiam num ambiente citadino e que se fundamentam em factos e na experimentação, já que o pai é Professor e o filho mais velho ambiciona ser médico. Esta oposição, aliada à forma como todo o filme se desenrola e acaba por nunca revelar demasiado de cada vez, consegue seduzir o espectador a querer confirmar o que vem a seguir, apesar de a história se ir revelando aos poucos. A este jogo de sedução não é alheia a forma como pequenas histórias são contadas até que se chegue àquela que verdadeiramente interessa.

Apesar do título e da catalogação como filme de terror, não haverá entre os espectadores muitos gritos e sustos. De acordo com os realizadores, não se pretende aqui provocar sustos, mas antes abrir os olhos ao medo.



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