Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº21, Julho, 2005

Festival Curtas Vila do Conde

13ª edição do maior festival de curtas do país. Até 10 de Julho em Vila do Conde.

Um especial destaque ao cinema contemporâneo japonês, a incursão por uma nova secção competitiva – Take One! destinada sobretudo a trabalhos de escolas superiores nacionais, um workshop de cinema super 8 e as secções competitivas nacional e internacional são os principais trunfos da 13ª edição do Festival Internacional de Lisboa – Curtas de Vila do Conde que tem início a 2 de Julho e que decorre até ao dia 10.

Este ano, devido ao crescente aumento da projecção internacional do festival, a secção competitiva foi construída a partir de uma base de 2650 filmes inscritos, dos quais, ainda que com alguma dificuldade, apenas puderam ser seleccionadas 54 propostas, que irão ser exibidas em dez sessões.

A principal novidade é a inclusão do vídeo musical como nova categoria, lado a lado com a ficção, a animação, o documentário e o filme experimental. Há países que fazem a sua estreia absoluta este ano na programação, é o caso da Islândia, Singapura, Malásia e Filipinas.

Entre as diversas propostas internacionais é de notar a presença habitual de realizadores em início de carreira, bem como de nomes já conhecidos do festival e alguns até premiados em edições anteriores, como Vivian Ostrovski, Bill Plympton, Mathias Muller, Gustav Deutsch, Thomas Draschan, Dominique Gonzalez-Foerste, Cristoph Girardet, Jochen Khun ou Peter Tcherkassky.

Existem propostas, entre tantas outras não menos ambiciosas, que se revelam no mínimo originais, como é o caso do documentário oriundo da Dinamarca, sobre a realidade social que se vive no Irão (Prostitution behind the Veil)  de Nahid Person, ou o filme de Peter Hutton que percorre as paisagens da Islândia  (Skagafjordur).

Na secção competitiva nacional foram recebidas mais de 150 propostas, tendo, somente, 13 filmes chegado à selecção final, de onde destacamos o documentário de Inês Oliveira, Documento Boxe, de Miguel Clara Vasconcelos, uma das oito estreias absolutas deste certame, Comer o coração de Rui Chafes e Vera Mantero, que faz a exploração do universo do escultor e da coreógrafa e 3 postais da Etiópia de Pedro Caldas, um dos mais recentes vencedores desta competição.

Com o programa Made In Japan pretende-se mudar as mentalidades mais conservadoras relativamente à cinematografia japonesa, em que apenas se conhece um ou dois nomes. Serão apresentadas três retrospectivas de autor (Sei Ishikawa, Ishii Sogo e Ishii Katsuhito), uma mostra de curtas metragens provenientes dos armazéns virtuais da OpenArt (plataforma de divulgação on-line para criadores japoneses de audiovisual e de cinema digital), três filmes-concerto e duas instalações colocadas estratégicamente na cidade, e ainda uma selecção de vídeos musicais japoneses.

A mostra Take One! terá no festival a sua 1ª edição, já que em 2004 foi apenas experimental e assume-se como um meio de divulgação de filmes realizados por escolas portuguesas. Para além da mostra, haverá diversos workshops e master classes visando proporcionar a todos os estudantes um estreito contacto com o panorama audiovisual e cinematográfico em Portugal.

Work in Progress é uma secção do festival que, para  além do cinema propriamente dito, estabelece relações com outras artes. Nesta edição estarão presentes filmes de Deborah Stratman e da dupla italiana Danielle Cipri e Franco Maresco.



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