“In a Dream”, de Jeremiah Zagar
A vida de um artista contada pelo filho.
“I’m an artist all my whole life”, diz Isaiah Zagar. Assim poderia ser o mote deste filme que aborda a vida de Isaiah Zagar, um artista excêntrico e atormentado de um bairro boémio de Filadélfia.
Cerca de 4600 m2 de betão da sua casa estão cobertos com azulejos, espelhos e mosaicos da sua autoria. Os murais representam uma retrospectiva da paixão e da relação controversa que teve com a mulher, Júlia, e revelam subtilmente os recantos mais obscuros de uma extraordinária imaginação.
A história de um Isaiah obsessivo e narcisista que se tornou um ícone da comunidade artística de Filadélfia e Júlia, graciosa e afectiva. Por um lado, o artista que trabalha com a comunidade – os alunos tinham lições do próprio artista na sua casa – e por outro a relação do mesmo com a sua família.
Filmado pelo filho mais novo de Isaiah, “In a Dream” é o reflexo de um lado mais humano e mais sensorial de um artista na sua relação com a sociedade.
Durante décadas, as suas naturezas opostas complementam-se até que um dia, depois de terem ido buscar o filho mais velho, Ziggy, a uma clínica de reabilitação, Isaiah confessa que tem uma relação com a sua assistente há três anos.
Perante isto, é posto fora de casa e entra numa depressão suicida em espiral que o debilita e que leva a pensar que um artista necessita sempre do seu refúgio. Um retrato fascinante entre várias relações que o artista tem ao longo da sua vida, entre laços familiares e a intimidade da disfunção.
Com uma excelente fotografia, dirigida por Erik Messerschmidt, In a Dream conta ainda com a participação na banda sonora de bandas como Books, Explosions in the Sky, Efterklang e Kelli Scarr.
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Com esta pequena, mas grande descrição, dávontade de ir espreitar o filme ;).
Parabéns Nuno, eu sabia que tu escrevias bem :D
Em contexto especial, noutro momento, o “Oásis” deste artista em Filadélfia já me tinha sido apresentado, todavia agora fico a conhecer um pouco mais sobre o “artista-pessoa”.
Nesta leitura, apreendo um indivíduo que se afigura ele próprio um “Oásis”, em sentido figurado, enquanto um distinto gosto entre muitos dissabores.
Os meus parabéns.