Esta peça fala de um encontro de um casal dois anos depois da sua separação, num hotel de província, onde também passaram os primeiros tempos de casados durante a construção da sua casa. O átrio do hotel está em remodelação e vêem-se dois homens de fato-macaco. No meio do pó e dos andaimes há um piano de cauda que os atrai, e sobre o ruído de um berbequim surge uma melodia calmante do piano.
Ele aparece primeiro no hotel e mais tarde ela. Encontram-se para assinar os papéis do divórcio. No início a conversa é de circunstância. Os dois movimentam-se mecanicamente, como se andassem atrás um do outro mas afastados, num diálogo de viagem ao passado, ao agora, e ao daqui a pouco.
“É a última vez na nossa vida” diz ele, “Eu às vezes dançava, e você não dança. E isso fazia-me falta” diz ela.
Em segundos, as eternas impossibilidades dos dois trocam de lugar com o amor, a traição, o desejo, o fim, num discurso que é o último, que pode ser o último.
“Há aqueles que se arrastam a chorar quando o amor acaba. Eu vou às compras.” diz ela.
“Vamos deixar o amor crescer na sombra. No medo.” Diz ele.
Os dois separam-se, fisicamente. Ela abandona o hotel. A melodia do piano começa a desaparecer e tudo fica suspenso.
Marguerite Duras escreveu ainda “La Musica Dois” para que 20 anos mais tarde o casal se pudesse encontrar de novo.
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