Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº68, Maio, 2011

M. Ward @ Aula Magna

E no início era a folk.

E tudo para M. Ward é folk. Apetece começar assim qualquer texto que envolva o nome de Matthew Stephen Ward. Ele é folk a solo, ele é folk em companhia feminina – Zooey Deschanel, nos She and Him -, ele é folk em companhia masculina – Conor Oberst e Mike Mogis (ambos Bright Eyes) e Jim James (My Morning Jacket). Há dois/três anos dizia-se que a folk poderia ser a Next Big Thing. Dois/três anos depois instalou-se o caos. A culpa? É de projectos como os Animal Collective, Panda Bear, Gang Gang Dance, Yeasayer, M.I.A. ou mesmo os “nossos” Buraka Som Sistema. A folk de risco ao lado deu lugar a um verdadeiro melting pot, cujas consequências são ainda difíceis de perceber. Uma coisa é certa, vivem-se tempos entusiasmantes.

Todo este primeiro parágrafo é uma tentativa de encontrar um motivo para a desoladora Aula Magna que recebeu M. Ward no passado dia 17 de Maio. Apenas 25 por cento das bancadas estariam preenchidas. Já o referimos: vêm aí os festivais, os cartazes estão cada vez mais fechados e seguem-se concertos de vacas sagradas do meio indie (isso!) como são os National, Sufjan Stevens e Ryan Adams.

Ouvimos os primeiros acordes e é M. Ward a atirar-se a um instrumental enquanto passeia pelo palco. Na semana passada vimos Norberto Lobo aguentar quase uma hora de concerto sentado numa cadeira, apenas na companhia dos seus instrumentos de cordas. M. Ward quase repete a proeza, mas de pé. Está apenas acompanhado de uma guitarra, uma harmónica e um piano. Folk, blues, country, a América Sulista e Bob Dylan é o que tem para dar. E, embora não entusiasme, cumpre a missão com aprumo.

E tudo para M. Ward é folk, voltamos a referir. Não admira, pois, que se atire à sua canção favorita de Buddy Holly, «Rave On», que também é nome de compilação dedicada ao pioneiro do rock, e que inclui versões de nomes como Paul McCartney, Loud Reed, Cee-Lo Green, Patti Smith, My Morning Jacket e She and Him (pois…). Não admira também que elogie Daniel Johnston e o homenageie com uma interpretação de «Story of an artist», essa grande, grande canção. Perto do fim, faz também uma versão de «Let’s Dance» de David Bowie.

No encore parte para um entusiasmado final ao piano, sem guitarra e sem harmónica, sem os blues, sem a folk, sem Dylan e sem a América Sulista. Afinal nem tudo para M. Ward é folk.



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