Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº51, Dezembro, 2009

Micachu & The Shapes

Micachu & the Shapes são das mais recentes coqueluches da Pop londrina. Até agora apenas com um LP, “Jewellery”, a banda vive de momentos de alguma euforia que não é descabida, pois o primeiro trabalho é de um génio singular que muito poucos conseguem alcançar.

Liderados por uma carismática jovem de apenas 21 anos, Mica Levi, a banda parece ter construído os alicerces para uma sólida carreira. Falámos com Mica Levi sobre a sua carreira pessoal e sobre o LP “Jewellery”.

Podemos pensar em Micachu como numa menina a brincar à musica, mas após uma primeira audição de Micachu & The Shapes, temos logo que a levar a sério,  pois descortinamos um universo sonoro bastante singular em relação aos demais cicerones que povoam o mundo do Indie-Rock. A leitura a fazer desta novidade poderá ser a de uma assaz libertinagem ao povoamento que se assiste nas tabelas de vendas por este mundo fora e, num momento em que a estagnação marca a novidade definir Micachu & The Shapes poderá ser uma tarefa árdua e inglória, mas podemos sempre defini-los pelas palavras de Mica Levi. “Noise Pop. Mas acho que a definição daquilo que é o nosso som vai mudando um pouco, à medida que os nossos gostos também mudam.”

Ambiente doméstico e influências desconhecidas. Mica Levi deixa cair nas palavras, uma imagem de terna inocência quanto ás influências que bebe, parecendo que apenas pegou no baralho da pop, baralhou-a bem e voltou a distribui-la renovando um conceito viciado do jogo numa profunda provocação ao estereótipo predefinido pelos protagonistas que ocupam a mesa de jogo. E quando questionada sobre se a utilização de objectos como aspiradores ou calculadoras recebia influências de Einsturzende Neubauten ou Pascal Comelado apenas respondeu: “Infelizmente, nunca ouvi nenhuma dessas bandas. Mas obrigada por me falares delas, vou ouvi-las.”  
Trazer esses sons para o palco, é outro exercício que a banda leva a cabo com alguma originalidade, pois tal como um bom aluno deixa a calculadora em casa para não cabular no exame, também eles se preparam em casa para criar esse universo sonoro em palco.“Não há calculadoras em palco, apesar de usarmos alguns desses objectos no disco. Também tentamos criar esses  sons e texturas com os instrumentos que tocamos, com as guitarras, os sintetizadores, a bateria”, revela.

Herança musical 
Filha de dois músicos de orientação clássica, também ela se iniciou na música clássica em tenra idade na Purcell School onde estudou violino e guitarra clássica e mais tarde na Guildhall School of Music and Drama  onde estudou composição. Mas esses primeiros elementos musicais depressa se dissiparam e se transformaram numa linguagem Pop.“Sempre gostei de outros géneros de música, a partir do momento em que comecei a pensar pela minha cabeça.” 
 
 
Mas antes de enveredar pela carreira musical que leva hoje com os The Shapes, Mica mostrou trabalho musical nos tempos de estudante, ao compôr uma peça de música clássica para a London Philarmonic Orchestra, tarefa que longe de ter sido fácil, lhe provocou algum receio pelo facto de ter notado alguma imaturidade na composição. 
“Foi assustador, mas ao mesmo tempo foi uma grande oportunidade. Fez-me perceber que se eu quiser compor novamente para uma orquestra vai ser preciso estudar mesmo muito.”

Disco tem mão de Mathew Herbert 
Os elogios à musica de “Jewellery” caíram dos mais diversos quadrantes, revistas músicos todos se renderam à imaginação e que o LP transpira, e para isso contribuiu a mão do iluminado Matthew Herbert, que se levantou da confortável trono que ocupa na música de dança e na produção, para produzir este trabalho, deixando inevitavelmente o seu dedo e os seus genes ao longo de todo o disco. “Sem dúvida. Acho que se consegue ouvir o estilo dele, sobretudo através do uso da distorção e em alguns dos equipamentos que ele usa. Trabalhar com o Matthew foi muito divertido e eu aprendi montes de coisas sobre produção.”

Numa altura em que quase toda a música Pop se afunda num oceano de influências, há os que sabem aproveitar com imaginação essas fontes. Enquanto outros apenas definham nos seus acordes, Micachu vive nesse primeiro oceano, onde as ostras dão pérolas e a pop não se condena a viver da imagem dos protagonistas destinados a lançar capas moldadas a lingerie, mas ainda assim guarda para si um certo e inocente receio quanto a futuro. “Depois destes elogios todos, será  provavelmente algo decepcionante.”
Os Micachu tocaram no passado dia 21 de Novembro na discoteca The Loft em Lisboa (ver critica de Maria del Sol Antela em reports) e quando questionada do que poderíamos esperar da sua muito esperada passagem por Portugal, teve como em toda a entrevista uma resposta curta e directa.“Espero que seja um concerto duro, mas divertido.”



Comentários (0)

Sem comentários

Tens de estar registado para fazeres um comentário ou

Redes sociais

  • Facebook
  • Twitter
  • MySpace
  • LinkedIn

PUB

Advertisement