Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº16, Fevereiro, 2005

Norton @ Alquimista

A banda de Castelo Branco foi a principal atracção, dia 12 de Fevereiro, em mais uma noite de música ao vivo no espaço lisboeta.

Já não é novidade para ninguém, mas em Portugal, o mau hábito de iniciar os espectáculos sempre com um atraso considerável, tornou-se moda. É óbvio que quem costuma ir a este tipo de espectáculos tem consciência destes atrasos e também chega tarde, criando um ciclo vicioso que começa a ser dificil de romper.

Foi com mais de duas horas de atraso que a noite de música no Alquimista teve início com a actuação de uma “ideia” nova. Os Tree Valley são uma dupla de músicos de Castelo Branco, uma guitarra e um baixo, que exprimem alguns dos seus sentimentos em composições simples e cruas. Talvez simples demais. O tempo o dirá.

Depois de mais um período de interregno que durou perto de 40 minutos, devido a problemas técnicos e afins, o prato forte desta noite finalmente subia ao palco do Santiago Alquimista. Fazendo lembrar a composição original da banda, com duas guitarras, a música dos Norton encheu todo o espaço lisboeta, ficando no ar a ideia que a banda de Castelo Branco pode e deve ir mais longe.

Aliando ambientes melancólicos e gélidos a explosões de riffs e som tremendos, os Norton mostraram ser um dos mais interessantes projectos da música “indie” nacional. Com uma postura em palco cada vez mais concentrada e completamente dedicada à música, a banda mostra uma união tremenda, não havendo alguém que se destaque individualmente mas sim como grupo.

Para além dos inevitáveis “Summer Beat”, “Swirling Sound” e do fantástico “Chocolate”, a banda regressou ao Ep de estreia, “Make me Sound”, com uma interpretação sublime de “Blue Song”, terminado a actuação com uma longuissima versão de “Would you like to be here?!”

Com um álbum de remisturas quase pronto para ser editado, os Norton continuam iguais a eles próprios, dedicados e apaixonados pela música que criam e que nos deliciam. Só falta agora um segundo grande álbum de originais e um empurrão para o caminho do estrelato (se é que isso pode existir na música independente em Portugal).

As rimas pesadas e fortes dos Factor Activo fecharam a noite de música ao vivo do Alquimista, mas a avançada hora da madrugada foi bastante desfavorável ao projecto que terá destaque nestas páginas numa próxima edição.



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