Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº13, Novembro, 2004

Oscar Unleashed

Exclusivo mundial, a entrevista que faltava.

Parece que foi ontem, mas já passaram 12 meses de edições onde temos dado a conhecer o melhor que se passa em Portugal no que diz respeito à cultura alternativa. Por estas páginas virtuais, já passaram dezenas de personalidades, desde a música ao teatro, passando pela moda e pela rádio, mas desde o princípio que temos estado em contacto com o agente daquele que é um dos maiores vultos da nossa praça. Produtor, artista plástico, músico, entertainer, este é um caso de sucesso que tem passado despercebido aos meios de comunicação, mas que a Rua de Baixo conseguiu encontrar depois de árduas negociações com o seu manager.

Foi a altas horas da madrugada que a Rua de Baixo o encontrou com alguns copos a mais nas já quase vazias ruas do Bairro Alto, a cambalear de um lado para o outro com um grupo de amigos e a caminho do Lux. Rapidamente acedeu ao nosso pedido e, com um chouriço assado a servir de mote, foi esta a entrevista possível ao Óscar Supah Star, uma das individualidades do início do novo milénio.

RDB: Não foi fácil combinar esta entrevista. A tua vida não tem sido muito “calma” ultimamente, pois não?

OSS: Roof Roof, nem me digas nada. Não têm sido nada fáceis estes últimos meses. Quase nem há tempo para lamber um osso em paz, quanto mais dar entrevistas. Mas hoje é uma noite especial, por isso venham de lá essas perguntas que tenho todo o gosto em responder.

RDB: Conta-nos um pouco do teu percurso no meio artístico e como te tornaste naquilo que é hoje.

OSS: É uma longa história que, por coincidência, até começou mesmo aqui nas ruas do bairro alto, a fazer espectáculos na rua, desde esculturas artísticas a música experimental, quando o meu manager de hoje (Bob Corleone) me descobriu a partir daí a minha vida tem sido sempre a subir patamares até chegar ao que sou hoje. Auuuuuuuu

RDB: Foi através do Corleone que se deu a tua ascensão àquilo que é hoje?


OSS:
O meio artístico funciona assim meu caro amigo. Quem tem os contactos certos, tem uma probabilidade de sucesso muito maior. Tive a sorte de travar amizade com o Bob e ele apresentou-me às pessoas certas que gostaram do meu trabalho e começaram a divulgar a minha obra. Comecei a fazer exposições colectivas com outros colegas contemporâneos pelos jardins de Lisboa e até pelas calçadas mais tradicionais, tendo acabado por encontrar o meu espaço, onde realmente percebiam a minha vertente vanguardista e onde até hoje tenho exposto o meu trabalho.

RDB: Qual foi o espaço que te abriu as portas à tua criatividade?

OSS: Tenho que agradecer aos meus amigos da ZDB que sempre me apoiaram e que foram os primeiros a expor o meu trabalho. Alguns anos depois, consegui encontrar um lugar catita na zona do Castelo e abri o meu próprio espaço, que se transformou num lugar de culto para o vanguardismo nacional.

RDB: Mas a tua obra não se limita às artes plásticas. Como surgiu a oportunidade de te iniciares no mundo da música?

OSS: A música faz parte das nossas vidas e especialmente da minha. Já nos anos oitenta interessava-me pelo disco sound e já organizava umas festas meio ilegais com alguns amigos meus onde passava o meu som. Depois aconteceu o impensável e foi na minha galeria que conheci o Michael …

RDB: Qual Michael?

OSS:
O Jackson, quando ele esteve em Lisboa. Ao que parece ele andava a passear pelas ruas quando entrou na minha galeria e ouviu o som que eu estava a fazer com um sintetizador CASIO acabadinho de comprar. Depois de uma breve conversa, acabei por fazer toda a tournée com ele, viajei por todo mundo, conheci alguns dos maiores produtores, a Madonna, os Stones, entre outros e acabei por me transformar no DJ preferido do Mike nas suas festas privadas quase sempre cheias de putos.

RDB: Então viveste muito tempo no estrangeiro?

OSS:
Los Angeles primeiro, onde fui DJ residente de alguns dos maiores clubes da época, depois Londres e finalmente Berlim. Eu sou um cidadão do mundo, gosto de conhecer os países, as pessoas, a música e a cultura. Fiz grandes amizades e ainda hoje as recordo com muita nostalgia. Ainda me lembro dos copos que bebi com o Bowie em Londres …

RDB: Quando regressaste a Portugal?


OSS:
Eu nunca estive longe de Portugal. Vinha sempre todos os anos passar uns dias no Algarve e orientar os meus negócios que estavam a cargo do Bob. Abri um bar no bairro, uma loja de discos e comecei a passar som no Frágil. Nunca fui muito conhecido nacionalmente, a minha cena era no estrangeiro.

RDB: És um estrangeirado portanto. Sentes-te melhor lá fora que no teu próprio país?

OSS: Isto por aqui não andava fácil sabes… era impossível arranjar um bom empréstimo, não havia muitas perspectivas de futuro… e a droga andava cara. Achei melhor fugir enquanto isto não melhorava. Agora tudo é diferente, a droga é mais barata e há mais casas de meninas. Ai! Só me apetece é ganir! Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!

RDB: Hoje em dia és conhecido no meio artístico como um dos mais influentes produtores de electrónica. Como tudo aconteceu?


OSS:
Eu andava num vai-e-vem entre Berlim e Lisboa e foi num desses voos que conheci o Ralf e o Florian dos Kraftwerk. Eles tinham vindo passar umas férias à Costa de Caparica e começámos a falar sobre música e sobre a vida. Quando aterrámos convidaram-me para ir até ao estúdio deles que é uma coisa louca. Lá comecei a mexer em todo aquele material e como o meu talento é mesmo inato, rapidamente comecei a fazer um som brutal que deixou os dois completamente pasmados. A partir daí percebi que a minha onda era mesmo a electrónica e, depois de fazer alguns concertos com eles, decidi começar uma carreira em nome próprio.

RDB: Actualmente as pessoas associam o Óscar ao electro. Como foi essa passagem?

OSS: As pessoas evoluem, o som também. Foi na Alemanha que conheci a Kittin numa discoteca onde passávamos som e química foi quase instantânea. Ela convidou-me logo a participar com alguns latidos no álbum dela e a partir daí as portas do electro estavam escancaradas. Os convites para festas começaram a chover e tenho andando bastante atarefado.

RDB: Então e o futuro. Quais são os planos?

OSS: Estive ainda há pouco tempo na ModaLisboa e fiz alguns contactos. Tenho algumas ideias que queria concretizar e uma delas é uma linha de vestuário, Óscar Wear, para a qual já tenho a colaboração de alguns dos mais importantes estilistas nacionais. Para além disso quero também entrar no mundo do cinema. Parece que a Marisa Cruz já faz filmes e eu quero lhe dar umas lambidelas. Auuuuuu

Foi com um ganir sarcástico que o nosso convidado comeu o último bocado de chouriço esturricado e deu um último golo no copo de vinho tinto que tinha à sua frente e desatou a correr.

Possivelmente, nunca mais ninguém vai conseguir falar com um dos mais importantes nomes da cultura nacional. Nós conseguimos.



Comentários (0)

Sem comentários

Tens de estar registado para fazeres um comentário ou

Redes sociais

  • Facebook
  • Twitter
  • MySpace
  • LinkedIn

PUB

Advertisement