Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº73, Outubro, 2011

Selah Sue

“É esta a vida que eu quero!”

Selah Sue começou pelas bailarinas. A dança levou-a à música e hoje não se vê a fazer outra coisa. De passagem por Portugal, a Rua de Baixo teve a oportunidade de estar à conversa com esta jovem que, mais do que belga, considera-se uma cantora do Mundo.

Não vens de uma família de músicos, mas sempre gostaste de cantar. Cantar é um prazer?

Sim. Mas é mais do que isso. Na verdade, é toda a minha vida e cantar é apenas uma pequena parte de entre toda a atmosfera da música, sons e melodias. Para mim, é a minha vida. Está sempre presente.

Querias ser bailarina?

Eu nunca quis ser bailarina profissional, mas pratiquei dos 6 aos 12 anos. E quando eu faço algo empenho-me, tal como toquei guitarra durante dois anos. Foi algo que eu gostava de fazer mas nunca quis tornar-me famosa a fazê-lo.

A dança ajudou a cimentar a relação com a música?

Foi muito importante no que toca ao ritmo. A forma como eu canto é muito ritmada e eu acho que, em tudo, ou tu sentes ou pura e simplesmente não sentes. E aí a dança ajuda muito. É um lado muito artístico.

Decidiste gravar as músicas que escreveste na tua adolescência. Escrever essas letras, na altura, serviu para amainar a dor? 

Eu não acho que tenha servido para tornar as coisas mais fáceis, mas na minha opinião a música pode fazer-te viver outras emoções. Mas, para mim, foi muito bom depois ver que, afinal, não foi assim tão mau como eu tinha sentido na altura.

Começaste por tocar em bares e em ambientes mais familiares e intimistas.

Sim. Eu toquei uma vez, apenas uma vez, num bar. E foi aí que tudo começou. Músicos importantes viram-me actuar e incentivaram-me a ir para estúdio.

Como foi pisar um grande palco pela primeira vez?

Foi na minha terra Natal, onde eu nasci e cresci. Foi muito intenso. A minha família estava toda lá, os meus amigos também, estava toda a gente a torcer por mim. E eu estava muito nervosa, como é óbvio, e senti-me realmente em casa… e isso é muito bom!

Quando publicaste as tuas músicas no Myspace esperavas que chegassem a ter a dimensão que alcançaram?

Eu nunca pensei nisso porque, na verdade, nunca tive a intensão de me tornar profissional.

A tua música é uma mistura de estilos e de ritmos. Quais são as tuas influências?

Muitas, muitas. No meu Ipod tenho imensos géneros. Desde música electrónica, hip-hop, soul, jazz. Eu ouço muito boa música e absorvo um pouco de todos os estilos musicais.

A globalização e o Mundo globalizante em que vivemos contribui para essas misturas de estilos?

Eu acho que é algo muito bom. E, neste aspecto, a Internet é uma ferramenta muito boa, perfeita. Nunca se conseguiu ter acesso à música como se tem agora.

Qual foi a sensação de abrir o concerto de Prince em Antuérpia?

Foi muito bom. Impressionante. Estavam lá muitas pessoas. Ele viu o meu concerto todo, deu-me imensos conselhos e desejou-me toda a sorte do Mundo. Foi maravilhoso!

É a tua primeira vez em Portugal?

Não. Na verdade, eu já estive cá de férias com a minha família. Nessa altura, foram umas férias muito relaxantes, muito culturais. E adorei o tempo. Não é demasiado quente e seco, passa sempre uma brisa fresca. Adorei!

O que esperas do público? 

Eu estive em França e lá é um pouco mais frio. Aqui, como é mais quente, acho que será algo mais vivaço. E como vou actuar para estudantes acho que vou encontrar muita energia.

Fotografia por José Eduardo Real



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