Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº12, Outubro, 2004

Station to Station WrayGunn e X-Wife em Tournée

Um dos mais apetecíveis espectáculos nacionais da actualidade já está na estrada.

O pontapé de saída da digressão conjunta de dois dos mais interessantes projectos musicais nacionais da actualidade teve lugar no passado dia 25 de Setembro na cidade do Barreiro. Esta vossa escriba esteve lá e conta em primeira-mão todos os pormenores dos concertos.

Para os mais desatentos, a Station to Station Tour vai percorrer os trilhos ibéricos durante os próximos dois meses e leva na bagagem a música dos portuenses X-Wife e dos WrayGunn de Coimbra. Uma reunião musical tão ecléctica quão fascinante que une os cúmplices nacionais do revivalismo pós punk popularizado por bandas norte-americanas como os The Strokes ou The Rapture ao engenho musical soul-blues-rock liderado pelo incontornável Paulo Legendary Tiger Man Furtado.

Na localidade situada a sul do Tejo, um pouco depois da hora marcada, o trio liderado por João Vieira (também conhecido nas pistas de dança como DJ Kitten) subia ao palco da colectividade Os Penicheiros. Perante uma audiência algo tímida e bastante dispersa, a banda deu início à actuação que teve como base o álbum de estreia Feeding the Machine. Durante 45 minutos, num registo muito próximo do trabalho de estúdio lançado no início de 2004, os X-Wife apresentaram o habitual alinhamento do seu repertório oficial. Depois de uma ténue resistência do público, o rock’n’roll-meets-pós punk psicadélico/electrónico do trio nortenho acabou por angariar simpatias e novos fãs entre os transeuntes locais.

Para quem já assistiu à prestação ao vivo dos WrayGunn, a fasquia da expectativa em relação a um novo concerto é sempre colocada lá bem no alto. Ao facto não é indiferente o facto de Paulo Furtado ser provavelmente o mais carismático vocalista cá pelo burgo lusitano.

O espectáculo no Barreiro não foi dos melhores que já vimos, mas esteve bem longe de defraudar a centena de entusiastas que ali se deslocaram. A entrega e a energia da banda foram constantes, do início ao fim dos 60 minutos de concerto, e irremediavelmente contagiante. Não faltaram os habituais apelos constantes do vocalista ao público ou mesmo a sua já habitual descida de palco acompanhada da histeria colectiva. Sem o coro Gospell que os acompanhara em palco no concerto do Festival Optimus Paredes de Coura, o colectivo canalizou a actuação do Barreiro sobretudo na sonoridade rock’n’roll. Do alinhamento fizeram essencialmente parte temas do segundo e mais recente longa-duração, Eclesiastes 1:11, mas houve ainda tempo para uns desvios pelo disco de estreia Soul Jam.

Talvez porque a recepção no Barreiro não tenha sido das melhores, tanto no concerto dos X-Wife como dos WrayGunn, não houve espaço para encores e a verdade é que também já os vimos fazer bem melhor. Felizmente houve muita e boa música como é apanágio das duas bandas.



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