Tensnake
Keep Believin’
“I was holding back my love” até que anunciados vapores da Cidade Livre Imperial – Hamburgo – me tomam a curiosidade e sentidos num fresh discothéque cheio de estética sensual. Já há algum tempo que não ficava retida, em loop, numa música/projecto.
Tensnake é Marco Niemerski, produtor e DJ alemão, responsável por esta espécie de hipnotismo doce e sinestesia naturalista. Descontraído e simplista afirma não ter um plano na composição da sua música; esta vai ganhando contornos por si própria. Tem, ainda, a capacidade de transformar a percepção de uma simples faixa e transpô-la para o formato canção.
Boogie-Deep-Disco-House, tudo se expande numa narrativa melódica de harmonia e ritmo. Consegue, ainda, reformular em parcelas rítmicas, a intensidade e profundidade no dancefloor: volume sobre volume.
Livre de pretensões dispara frequências em fracção intensa; fragmentando-se, em seguida, em leves e pulsadas partículas divertidas. Fireworks!!!
Não tendo qualquer formação musical, a sua elektronische musik abraça as quentes influências Funk e Disco que lhe são incutidas pelo irmão mais velho.
Apesar de só, em 2009, se ter destacado com o EP In the End (I Want You To Cry) que contém o tema Holding Back My Love, lançado através da label alemã Running Back Records, Tensnake já tentava encontrar a formúla mágica para uma nova linha da música de dança.
Em 2006, através da sua editora – Mirau – lança Restless (EP) e em 2007, I Say Mista (12”) tendo chamado a atenção de vários produtores do New Disco tais como Prins Thomas, Mark E; e do House Matt Edwards (do projecto Radioslave), entre outras ligações.
Daí a fazer remisturas para projectos e bandas de renome foi meteórico. Desde Junior Boys (FM), Sally Shapiro (I’ll Be On Your Side), Alexander Robotnik – ‘gigante’ do Italo Disco – (Disco Sick) a Toby Tobias (In Your Eyes) e The Faint (Battlehymn For The Children). Para além da editora Mirau, formou uma outra – Glossy – esta inteiramente dedicada a bootlegs de clássicos e edits de rare funk e disco.
Os ritmos quentes de Tensnake contrastam com a herança de Hamburgo, nas linguagens minimalistas e progressivas do techno industrial ao ponto de vestirem o espirito boogie e festivo da Big Apple.
Ecos transatlânticos se fizeram ouvir e rapidamente foram captados pelas ondas de rádio do programa nova iorquino Beats in Space, através da curiosidade melómana de Tim Sweeney.
No início deste ano lança o EP Coma Cat, cujas influências remontam à década de 80. Mas Tensnake não fica por aqui; revela estar a trabalhar no album que talvez seja lançado ainda em 2010.
O processo de finalização do album está a ser tarefa complicada devido à sua característica preciosista. Revela-se impaciente na composição das faixas e ainda não chegou à estrutura pretendida.
Enquanto aguardamos a chegada do album continuemos a deslizar nesta química sofisticada. Com Tensnake não se forjam cumplicidades nem se impulsionam automatismos.
E “In the End” (se chorarmos é pela incandescência sonora).
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