Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº25, Novembro, 2005

Tomatito

A nova geração do flamenco de visita a Portugal.

Nasceu em Espanha e chama-se José Fernández Torres, mas é mais conhecido como Tomatito, em homenagem ao seu pai e ao seu avô, dois entusiastas da guitarra e do flamenco, que eram conhecidos nos círculos musicais por El Tomate. Deles herdou o gosto pela música e a habilidade nata para a guitarra, que desde muito cedo utilizou para dar azo à sua expressividade, aproveitando como veículo o tradicional flamenco espanhol.

Começou a destacar-se desde tenra idade e aos 10 anos já era motivo de falatório na imprensa local, graças às suas actuações nas “tabernas” da sua Almería natal. Mas foi já em Málaga, aos 15 anos, que o credenciado guitarrista flamenco Camarón de la Isla o convida para o acompanhar em palco, substituindo um dos seus músicos.

A partir daí, a carreira de Tomatito foi sempre ascendente, acompanhando Camarón nas suas digressões internacionais, tocando nos grandes palcos e nos festivais mais conceituados, como o Festival de Jazz de Montreaux ou o Festival de Jazz de Nova Iorque. A parceria com Camarón de la Isla permitiu-lhe ainda conhecer Paco de Lucia, de quem era admirador confesso desde o início e com quem tocaria e gravaria posteriormente.

A partir de 1992, já com 34 anos, Tomatito embarca em definitivo na carreira a solo, desdobrando-se também em parcerias com outros guitarristas. Começa a ganhar estatuto internacional ao tocar a solo em importantes festivais, como o Festival Internacional de Guitarra de Córdoba, e a tocar pelo Mundo fora, desde o Japão aos Estados Unidos da América. “Rosas Del Amor” foi o seu primeiro registo a solo e desde aí a sua credibilidade não parou mais de aumentar, acumulando-se os prémios e participando em colectâneas internacionais, como a «Palabra De Guitarra Latina», ao lado da então promessa portuguesa Joel Xavier.

Actualmente, Tomatito é um dos mais respeitados guitarristas internacionais e um dos rostos principais da nova geração do flamenco, que cruza um estilo muito próprio com as correntes do jazz, fundindo um flamenco misterioso e profundo com as harmonias luminosas da música do mundo. Experimentou também o cinema, com a banda-sonora do filme alemão “Bin Ich Schoen?” e a world music, colaborando com o maestro turco Arif Sag.

Agora, chega a vez de Portugal conhecer Tomatito, que com o seu sexteto marca presença no Centro Cultural de Belém no próximo dia 27. Servirá para dar a conhecer o seu reportório, mas principalmente “Agudadulce”, o seu mais recente álbum de originais. Porque, como ele próprio defende, “um flamenco tem que tocar flamenco…”



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