Revista online sobre Cultura e Lifestyle
Edição Nº27, Janeiro, 2006

Turbonegro

Erecção Rock.

Mesmo para quem nunca tinha visto os Turbonegro ao vivo, bastava saber um pouco da história da banda – que incluem crises de demência mental e dependências de droga –, para imaginar que o espectáculo a que iria assistir não seria muito convencional. Isto já para não falar da quantidade de chapéus de marinheiros espalhados por um público vestido a rigor, acompanhando a indumentária habitual da banda norueguesa. Ou não fossem os Turbonegro os Village People do rock (ainda que injectados com um pouco do folclore de Alice Cooper).

A sonoridade dos Turbonegro não engana: fiéis ao punk-rock americano do final dos anos 70, com resquícios do sleeze/glam da década de 80, a estrutura das suas músicas assenta numa base de riffs certeiros e refrões que ficam no ouvido. Depois, coleccionam todos os estereótipos de rockstar possíveis, incluíndo os sexuais.

Mas os Turbonegro estão à vontade com a sua própria sexualidade, o que faz deixar o público igualmente descontraído, entoando em conjunto momentos tão típicos como o de «I Got Erection». Mas já lá vamos.

Depois da passagem apocalíptica pelo festival Super Bock Super Rock – que o vocalista Hank Von Helvete, um comunicador nato, aproveitou para elogiar devido ao jogo de palavras possível (Super Bock, super rock, super cock, super fuck…) – os Turbonegro marcaram regresso a Portugal, desta vez em nome próprio, para promover o mais recente álbum de originais, “Party Animals”. E, tal como no álbum, o concerto iniciou-se ao som de motores rumo à quinta dimensão, que introduziram «All My Friends Are Dead».

Os Turbonegro abusam dos próprios clichés, esgotando-os para os reciclar logo de seguida. São como a anedota, que quando esticada ao máximo perde a piada; mas eles continuam a esticá-la até voltar a ter graça.

É como quando reciclam a batida imortalizada pelos Queen, em «We Will Rock You», criando um hino épico de celebração a Lúcifer – falo, obviamente, de «City Of Satan», um dos momentos altos da primeira parte da noite, juntamente com «Get It On», sempre entoados em uníssono com o público.

Aliás, foi de “Apocalypse Dudes”, a aclamada obra-prima do grupo, que se fez a maioria do concerto. Quando a banda abandonou o palco, o público (sempre liderado pela sucursal de Cascais da Turbo Jugend, clube de fãs oficial da banda) fez uma pausa no crowd surfing e no mosh para exigir o seu regresso. E foi com «The Age Of Pamparius» que a banda iniciou o encore. «Prince Of The Rodeo» serviu de banda-sonora para que o guitarrista Euroboy, sempre com uma pose intocável de guitarrista perdido no glam-rock, trocasse o palco pelo balcão e depois pelos ombros do público. Ainda se ouviu «Sell Your Body (To The Night)» antes do canto do cisne, já no segundo encore, com o clássico «I Got Erection», música em que o baixo de Happy Tom se tornou extensão fálica.

Humor negro, orgias depravadas de sodomização e outros fetiches sexuais, hard-punk e glam-rock exarcebado – foram estes os três ingredientes do concerto no Paradise Garage, o sítio ideal para apadrinhar o primeiro de dois espectáculos em território nacional deste conjunto norueguês que de habitual não tem nada.



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