“A Lebre de Olhos de Âmbar” | Edmund de Waal

“A Lebre de Olhos de Âmbar” | Edmund de Waal

De pequenos objectos nasceu uma história imensa

Edmund de Wall é um prestigiado oleiro inglês, professor de Cerâmica na Universidade de Westminster. Quando herdou uma colecção de 264 netskukes, pequenas esculturas japonesas feitas a partir de madeira e marfim, um único pensamento passou a ocupar-lhe a memória e a imaginação: «Quero chegar à porta, dar a volta ao puxador e senti-la abrir-se. Quero entrar em cada sala onde este objecto viveu, sentir o volume do espaço, ver os quadros das paredes, saber como se projectava a luz pelas janelas. E quero saber por que mãos passou este netsuke, e o que pensavam dele – se é que pensavam nele. Quero saber o que testemunho. (…) Posso passar o resto da vida a contar historinhas sobre esta insólita herança dum velho parente muito querido – ou pôr-me em busca do seu significado.»

O resultado foi o livro “A Lebre dos Olhos de Âmbar”, que levou para casa os prémios Costa Book Award 2010para biografia -, o Galaxy National Book Award 2010 – para estreia literária – e o Ondaatje Book Award 2011, para além de ter sido eleito pelo The Economist o livro do ano em 2010.

Começamos a viagem por volta de 1870, quando os Ephrussi, que viajaram de Odessa para Paris, eram a certa altura os maiores exportadores de cereais do mundo. Charles Ephrussi fazia parte de uma rica nova geração que se instalou em Paris, um autodidacta ridiculamente rico que desenvolveu um gosto pelo coleccionismo numa altura em que o Japão começava a ser descoberto e os seus objectos faziam furor em salões parisienses e festas de ocasião. A história da pintura e da literatura passam por ele: o poeta Jules Laforgue foi seu secretário; Marcel Proust inspirou-se nele para criar Swann, personagem maior de “Em Busca do Tempo Perdido”; torna-se mecenas de diversos pintores como Manet, conseguindo-lhes trabalhos de encomenda. Até que, em 1894, o Caso Dreyfus fez com que a França se dividisse entre dreyfusistas e nati-deyfusistas, fazendo surgir cortes radicais de velhas amizades, separações familiares, uma guerra aberta aos judeus (os Ephrussi eram de origem judaica). Para Charles, Paris mudara. «Ele era um mondain a quem se fechavam portas, um mecenas ostracizado por artistas seus». Charles vai perdendo a paixão pelo Japão. Quando o primo direito Viktor anuncia o seu casamento Charles envia-lhe como prenda de casamento uma vitrina com 264 netsukes.

Mas isto é apenas o princípio de uma longa história. Há viagens até Viena – numa altura em que o sexo está presente em todo o lado e onde os netsuke se vão tornar, também, brinquedos de criança – ao Japão – onde os netsuke ganham uma nova casa no País que os havia criado – e a Inglaterra, onde os netsuke passam finalmente a fazer parte da vida de Edmund de Waal; que, neste livro, nos oferece uma grandiosa e requintada biografia familiar, acompanhada por uma sensibilidade artística e histórica que dá a conhecer as variações artísticas e as convulsões políticas que ligaram várias gerações. De pequenos objectos nasceu uma história imensa.

Uma edição Sextante Editora



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