“Algo Maligno Vem Aí” | Ray Bradbury

“Algo Maligno Vem Aí” | Ray Bradbury

Um hino à adolescência

William Halloway e Jim Nightshade, nascidos com apenas dois minutos de intervalo e prestes a completar 14 anos, são amigos inseparáveis. Porém, são tão diferentes entre si que um poderia ser “Yin” e o outro “Yang”. William é mais dado à pacatez e à introversão, enquanto Jim gosta de aventuras e lê livros que ensinam coisas como burlar o First National Bank ou construir catapultas. As suas vidas parecem prosseguir como a de qualquer rapaz lá do sítio, até que chega o anúncio de uma estranha feira – daquelas que não se vêem há décadas – que promete atracções como O Homem Ilustrado, O Bebedor de Lama, A Bruxa do Pó ou A Mais Bela Mulher do Mundo.

O cortejo circense chega à cidade às 3 da manhã, num comboio do tempo da guerra civil norte-americana e ao som de música de igreja que parece ser tocada de trás para a frente. William e Jim, com a irreverência da juventude, perseguem esta estranha caravana a tempo de descobrirem alguns dos seus segredos ocultos, desde um estranho labirinto de espelhos a um carrossel em reparação que esconde algo de assombroso – o que lhes vai valer uma implacável perseguição amaldiçoada pela escrita Shakespeariana: «Pelo formigueiro nos polegares, algo maligno vem aí.»

Por detrás de uma viagem ao mundo do fantástico, Ray Bradbury inventa em “Algo Maligno Vem Aí” uma metáfora para a adolescência, seja pelo medo de as amizades construídas na infância não durarem para sempre ou pela possibilidade de a ela regressarmos quando tudo parece consumado e aniquilado pela rotina do estado adulto. Um triunfo da imaginação onde se escondem inúmeros subterfúgios.

Uma edição Saída de Emergência



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