“Autismo” | Valério Romão

“Autismo” | Valério Romão

Um segredo muito bem guardado

Valério Romão, de quem na badana se diz ser um “tech geek” e “eterno aprendiz de dançarino”, é autor de um dos mais surpreendentes livros escritos em Português neste já comprido ano de 2012.

“Autismo”, o primeiro de uma trilogia baptizada com o nome de “Paternidades Falhadas”, confessa – já que parte de um acontecimento autobiográfico – como a doença pode estilhaçar sem piedade a intimidade e a relação de um casal, debruçando-se sobre as diferentes formas que cada um tem de lidar com o aparecimento da frustração e do fracasso – seja pelos antecedentes familiares ou pela própria construção mental que foi criando ao longo da vida – e o medo de enfrentar algo a que receamos dar um nome – como se, pela simples nomeação, iniciássemos um contágio irreversível.

A história começa com o atropelamento de Henrique, um menino autista, à saída da sua escola. Os capítulos são depois apresentados alternadamente no espaço e no tempo, numa alteração de narradores que dá à história um ritmo e um ângulo diferentes a cada mudança de capítulo, numa tensão que se vai tornando crescente a cada virar de página.

Surpreendente é que, aquilo que começa por parecer uma história de vida superada, um relato social com uma janela que abre uma nesga de esperança, acabe por se tornar num sufocante drama familiar e relacional onde cabe uma narrativa de mistério com um toque a história policial.

Uma edição Abysmo



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