“O Mundo Depois do Fim” | Tom Perotta

“O Mundo Depois do Fim” | Tom Perotta

Mordaz e imprevisível, “O Mundo Depois do Fim” questiona como a alma humana age perante a imagem de um colapso total

Quando falamos em distopias, há um triângulo das bermudas que se revela incontornável pela sua pertinência e intemporalidade: “Admirável Mundo Novo” – Aldous Huxley -, “Nós” – Evgueni Zamiatine – e “1984” – George Orwell. Em “O Mundo Depois do Fim”, Tom Perrotta apropria-se do conceito de distopia para criar um romance sobre a crise de valores na sociedade contemporânea.

A história parte de um estranho acontecimento que faz com que milhões de pessoas desapareçam do planeta num abrir e piscar de olhos, sem obedecer a qualquer padrão de escolha. Mapleton, uma comunidade suburbana onde se vai centrar a narrativa, perdeu mais de uma centena de pessoas, naquilo que passou a ser conhecido como Partida Súbita.

Porém, aquilo que facilmente poderia servir de ponto de partida para uma viagem ao mundo da ficção científica é aqui desenvolvido como uma questão sentimental, religiosa e, também, geracional: há um padre que olha para o fenómeno como o Arrebatamento bíblico, incrédulo por não ter sido levado; há quem deixe a família e se junte aos Remanescentes Culpados, que optaram pelo silêncio e vigiam aqueles que prosseguem normalmente as suas vidas com um olhar frio e de cigarro na boca; há quem deixe a universidade e se junte a uma seita comandada pelo “Santo Wayne”, que diz curar pelo poder do abraço fraterno.

Mordaz e imprevisível, “O Mundo Depois do Fim” questiona como a alma humana age perante a imagem de um colapso total.

Uma edição contraponto



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