“Quando te casares a tua mulher vai ver-te o pénis” | Justin Hapern

“Quando te casares a tua mulher vai ver-te o pénis” | Justin Hapern

Comédia romântica, livro de memórias e pura parvoíce

Porque nem só de literatura séria se alimenta a alma humana, é bom abrir o congelador e encontrar lá dentro sobremesas como “Quanto te casares a tua mulher vai ver-te o pénis”, o novo devaneio de Justin Halpern que é como um gelado numa noite de Verão.

Depois do sucesso de vendas que foi “M*rdas que o meu pai diz” – que nasceu de uma conta no Twitter em que divulgava palavras e palavrões de sabedoria do seu pai -, Justin Halpern regressa com um livro onde conta uma série de aventuras embaraçosas, antes de se decidir por um pedido de casamento. O conselho, aliás, vem mais uma vez do seu pai: «Então, vou contar-te o que fiz mesmo antes de pedir a tua mãe em casamento: tirei um dia para pensar acerca de todas as coisas que tinha aprendido sobre mim e sobre as mulheres até àquele ponto da minha vida. Limitei-me a sentar-me e a pensar. Também sou capaz de ter fumado marijuana. Seja como for, ao fim desse dia fiz um balanço de tudo o que me tinha passado pela cabeça e perguntei a mim mesmo se ainda queria pedir à tua mãe que se casasse comigo. E queria.»

Justin Halper faz então contas à vida e oferece-nos motivos para umas boas gargalhadas: começamos com Kerry, a primeira paixão da escola primária, onde a um silêncio confrangedor se sucede um assédio violento e muito parvo; o medo da noite de núpcias, aos 8 anos, que termina com o arrombamento da porta do quarto dos pais em pleno acto; o enfrentar do medo de um desfiladeiro, algures entre os 10 e os 12 anos, que se transforma num assalto a um monte de pornografia – pertença de um par de mendigos; os tempos de liceu e a dificuldade de se ser um tipo popular; as aulas de condução, aos 16 anos, com um instrutor magricela, de cabeça rapada e que “só poderia cheirar mais a marijuana se fosse feito daquilo»; o primeiro beijo, «no assento traseiro de um táxi conduzido por um tipo que parecia o Ernest Hemingway viciado em metanfetaminas»; o difícil ano de caloiro universitário e uma estranha viagem a Ibiza em busca do coito ininterrupto; a desastrada primeira vez com uma empregada do Hooters que durou 30 segundos – de modo a que esta pudesse ver o resto do filme “Uma Questão de Honra”; uma relação de sexo ocasional com uma hispânica, que fazia negócio com uns analgésicos poderosos destinados ao seu coelho moribundo; e o encontro com Amanda, numa galeria de arte, a mulher a quem pensa pedir em casamento.

Mistura de comédia romântica, livro de memórias e pura parvoíce, “Quando te casares a tua mulher vai ver-te o pénis” é apenas desaconselhável àqueles que tenham, com o riso, uma relação alérgica.

Uma edição Pergaminho



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