007: SPECTRE

007: SPECTRE

“You are a kite, dancing in a hurricane Mr. Bond”

Desde que soube da existência de “Spectre” que estava entusiasmada para o ver. E a verdade é que eu queria ter adorado o filme, queria mesmo. Como o Sam Mendes voltava a juntar-se ao universo 007, as minhas expectativas eram demasiado altas.

Torna-se impossível fazer uma crítica a “Spectre” sem mencionar “Skyfall”. Skyfall foi extremamente bem escrito, com personagens sólidas e muito bem interpretadas. O filme tinha uma história sólida, o vilão tinha um propósito, tudo encaixava. Mas em “Spectre”, nada encaixa. Depois de três filmes onde se começava a descobrir o verdadeiro James Bond, neste filme não conhecemos nada. Uma coisa não mudou, felizmente. Mesmo com umas frases lamechas pelo meio, Daniel Craig continua a ser o melhor Bond de sempre e tem aqui mais um desempenho perfeito.

Sobre as Bond Girls já a história é outra… Monica Bellucci deslumbra (como sempre). Ela é a imagem da sensualidade e tem uma excelente química com Craig, e acredito que teria sido uma excelente Bond girl (uma a sério) se a história fosse outra… Infelizmente, temos apenas 10 minutos de Bellucci nos 148 minutos de filme. Tanto se ouviu sobre Bellucci ser a “Bond girl mais velha” para tão pouco tempo no ecrã…

Em vez de Bellucci temos Lèa Seydoux com a principal Bond girl. Seydoux é uma excelente actriz e já o demonstrou em diversos filmes mas a sua Dra. Madeleine Swann, contudo, foi muito mal construída, com muito pouco interesse (em comparação com outras Bond girls).

Ficamos a conhecer Madeline Swann a meio do filme e ela é, sem dúvida, a típica Bond girl dos filmes pré-Craig. É uma mulher bonita (que já vimos ser um requisito fundamental na escolha de James Bond para companhia femininas), independente que se sabe defender e, claro, quer ter uma vida longe de armas, lutas e perseguições. Tudo ao estilo Bond. A química entre Craig e Seydoux é fraquinha e tentaram fazer dela a mulher da vida de James Bond mas não conseguiram, ela não é nenhuma Vesper Lynd…

O Oberhauser de Christoph Waltz deixou muito a desejar. Não por ele, o homem é um génio! Mas se em Skyfall Javier Bardem construiu um Raoul Silva sólido, com um propósito bem vincado (e brilhantemente representado), esperava muito mais de Waltz. Oberhauser deveria ser “o” vilão por excelência, é o único que tem uma história pessoal com Bond, mas não é. É um dos mais fraquinho de todos (à semelhança de Dominic Greene em Quantum of Solace). Não existe empatia entre os dois (como existiu com Bardem ou Le Chiffre), sem nenhuma carga emocional, e onde não existe qualquer história convincente para contar. Um Waltz que aparece pouco, numa personagem que não esteve à altura do seu talento…

“Spectre” poderia ter usado o passado – que é relembrado inúmeras vezes – na sua história, não apenas como lembranças mas como parte fundamental da história do filme. Vemos imagens de Le Chiffre, Vesper Lynd, Dominic Greene, Raoul Silva e M, e tudo isto teria dado para muito, muito mais… “Spectre” parece um filme sem uma orientação, com uma realização só porque se queria fazer mais um 007 e sem querer dar continuidade a tudo o que se tinha conseguido alcançar nos filmes anteriores.

Infelizmente, no final do filme senti que tinha visto um drama romântico, com demasiadas frases e momentos lamechas. Esperava muito mais deste filme. Espero agora pelo próximo mas com as expectativas mais baixas, mas a torcer por mais um Casino Royale ou um Skyfall.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This