10 ANOS de GROOVEMENT

“A arte de continuar a sonhar. Assim podemos definir em essência a Groovement e sua travessia temporal que já ultrapassa os 10 anos de existência. Nascida da vontade para dar corpo e visibilidade à melhor música electronica produzida em Portugal mas também ligada às grandes metropoles do mundo, a Groovement tem escapado aos ciclos de vida curtos que normalmente sentenciam projectos deste tipo em países periféricos. Não só porque a componente artística se tem reinventado ao longo dos tempos mas também porque a sua ação cultural no terreno tem gerado uma vibração genuína e contínua que já atravessa diferentes gerações.

Ao passar a barreira dos 10 anos e sempre com os olhos postos no futuro, a Groovement celebra esse legado ao lançar um novo ciclo editorial na sua vida. A compilação “10 is not enough” é uma retrospectiva do catálogo em formato de remistura, com ligação às principais cidades do mundo e a alguns dos mais insuspeitos produtores do underground internacional. Aparecem aqui na coleção 2 exclusivos (Barker & Baumecker e IVVVO) que representam o espírito que a editora sempre teve na procura da originalidade e contaminação de estilos. Tudo será editado após as férias mas por agora antecipamos essa realidade na pista do LUX ao tocar a música que tanto gostamos e que tem feito da Groovement um caso de longevidade genuína numa realidade de hiper marketização global.

A universalidade da música que produzimos e publicamos é grande mas Lisboa é a nossa base. É a partir desta magnifica cidade que temos lançado pontes de relação com o mundo. E aqui, neste que é o melhor clube do mundo com o melhor público do mundo, abriremos um novo ciclo criativo que continuará a contribuir para a construção da identidade da cultura da música electrónica escrita em Portugal e com distribuição à volta do mundo.

Aproveitemos todos a viagem que ainda há muito a criar e a descobrir!”

Jorge Caiado

É bem verdade quando se diz que idade não equivale a estatuto. Aos 25 anos e com o seu primeiro disco sendo lançado tão recentemente como em 2012, ouvir uma produção de Jorge Caiado ou um DJ set seu, faz transparecer a nítida sensação de estarmos perante um veterano da cena, já com muitas batalhas no historial.

Esta sensação não resulta só de uma qualquer sorte de principiante. Caiado traz com ele a bagagem musical e técnica de um peso pesado, e impulsiona-a com a emoção e entusiasmo pelo seu ofício, de alguém que todos os dias se apaixona pela música como se fosse a primeira vez. O seu background assenta num curso de Engenharia de Som e numa aprendizagem como estudante da prestigiada Red Bull Music Academy (Madrid 2011), um dos poucos portugueses a conseguirem tal distinção. O resto provém de algo que ou se tem ou não se tem : talento inato e curiosidade insaciável pela música. Jorge tem-nos em grau pelo menos suficiente para que uma lenda do House como Chez Damier, lhe tenha oferecido a sua tutela e orientação musical, dando-lhe a oportunidade de se estrear nos lançamentos com “Beyond The Atlantic” na sua influente label, a Balance (com um 2o lançamento já alinhado ainda em 2014). Juntemos a isso a sua prestação como remixer para Giles Smith na Secretsundaze do mesmo, e ainda para Terrence Parker e Orlando Voorn, e temos um pedigree impressionante na produção, que é já igualado pelo seu histórico nas cabines : gigs frequentes nos clubs e festivais mais relevantes do país (Lux, Gare Porto, Ministerium, Optimus Alive, Neo Pop, SBSR, Lisb/On), cimentando a posição de Caiado como um dos DJs de topo a nível nacional, conseguida ao longo dos 9 anos que leva a passar discos.

O seu foco e motivação fazem com que ainda encontre tempo para ser o label manager e produtor executivo da editora portuguesa Groovement e tecer, com João Maria e Zé Salvador, a tapeçaria musical da loja de discos Carpet & Snares e da agência Carpet Music. Movido por igual paixão, esteja no estúdio, na cabine, ou simplesmente a falar de discos, este estudante está a tornar-se professor. Deixemo-nos levar pelas aulas de Jorge Caiado.

Hélder Russo

Hélder Russo é uma daqueles mentes que vive no seu próprio mundo a um ritmo muito particular. Alucinado e possuído pela visão de uma metrópole futurista de carácter sofisticado, Hélder desenvolve uma relação muito forte com as máquinas que vai adquirindo para fazer a música que gosta. Sempre na frequência analógica, como faz questão de relevar.

Assombrado por essa vida que as máquinas ganham no seu estúdio com janela sobre a cidade de Lisboa, não esconde a sua afinidade pelo Techno de Detroit, sobretudo por permanentemente arriscar novas formas de composição na busca de uma sonoridade autoral forte e só sua.

O seu primeiro disco “I don’t know”, que continha uma remix de Niko Marks, lançou as bases para uma primeira aclamação. Ao qual se viria a seguir o inclassificável “Soul Machine” um disco intemporal e que, premeditamos, será objecto de culto daqui a muito tempo por apresentar ideias que não respeitam o mercado. O vídeo “Freak Love” mostra Lisboa por uma lente invulgar, a mesma que a sua música propõe. Com o tempo a seu favor, Hélder prepara novas edições para a Groovement, enquanto partilha a cabine com Jorge Caiado e ARTivista em noites de rebelião sonora transformadas em momentos de celebração suprema que fizeram das “Groovemental” uma das residências mensais mais genuínas da cidade.

ARTivista

ARTivista é o alter ego do fundador da Groovement, mente inquieta e envolvida por todas as coisas impermanentes do cosmos. Comandado pela esotérica paixão da música e arte da transcendência pela dança nos clubes, ARTivista viveu a febre do “A paradise called Portugal” em plena época rave e mais tarde foi apanhado pelo Acid House, Techno e outras coisas revolucionárias pelo meio tipo drum’n’bass.

Fez na rádio um percurso de 20 anos e foi no Porto pós capital europeia da cultura 2001 que começou a lançar as sementes de germinação da Groovement, a partir do seu programa semanal de novas tendências na Rádio Nova intitulado “TranscendDanças” que viria a dar origem à compilação com o mesmo nome e aos primeiros discos do catálogo da editora. Iniciou no saudoso Meia Cave, à Ribeira (Porto), um vício que mantém até aos dias de hoje, o DJing. Algo que consolidou com a passagem a residente de longo curso no seminal bar da Foz, Trintaeum. Depois deambulou por todos os clubes que se possam imaginar e sempre nessa inquietude foi desafiando alguns dos mais importantes criadores portugueses de música sem fronteiras a escrever uma história rebelde e sem linhagem de marketing descartável. A coisa ganhou asas, atravessou fronteiras e foi ligando entre si pessoas inesperadas. E aqui não há Google que valha porque tudo se passa no terreno com vibração verdadeira.

Mantém até aos dias de hoje essa irredutibilidade na defesa pela liberdade de criação que deve ser dada aos artistas. É uma espécie de revolução que já não se usa mas que permite formar espíritos críticos e livres. Assim acredita.



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