4º Ano do Milénio

Com o País mergulhado numa crise institucional, a música e o futebol salvaram um ano condenado ao fracasso.

Há um ano atrás, apenas com duas edições da Rua de Baixo online, atrevi-me a dizer que o ano de 2003 tinha sido o número zero para a música portuguesa e que no ano de 2004 seria dado o verdadeiro pontapé de saída na música nacional. Felizmente foi mesmo isso que aconteceu. A música nacional salvou um ano bastante infeliz a nível social (mas fomos vice-campeões da Europa em futebol) e que (in)felizmente coincidiu com o nosso primeiro ano de publicações.

Durante o ano que passou, a música portuguesa mostrou algumas facetas que há uns anos atrás eram praticamente impensáveis. Para além de uma enorme diversidade de géneros e uma qualidade em alguns casos surpreendente, começou a manifestar-se uma cultura musical que parecia estar adormecida no povo português.

Finalmente começa a existir um “pequeno” circuito de concertos, obviamente nos grandes centros urbanos, que não se limitam a promover apenas um determinado género ou banda, mas estão abertos à novidade e à diferença seguindo assim o comportamento do público, que é cada vez mais eclético nas suas escolhas musicais.

Este crescente interesse na música feita por cá, teve como principal pilar os excelentes registos editados em 2004 e a coragem das editoras independentes (Bor Land, Loop Recordings, Thisco, Transformadores, Crónica) que têm sido o suporte para muitos projectos.

O ano começou com a edição do primeiro álbum dos X-Wife. Para além de um excelente álbum, a banda de João Vieira aka DJ Kitten, conquistou um elevado número de seguidores e conseguiu, no final do ano, fazer uma digressão pelos Estados Unidos, tocando em diversos clubes de Nova Iorque.

Para além do excelente regresso dos Mão Morta, o ano ficou marcado pela confirmação de mais uma estrela no panorama nacional. Paulo Furtado não é novo no meio, mas o ano que passou foi possivelmente o melhor da sua carreira. Para além do Legendary Tiger Man estar de boa saúde, os Wray Gunn mostraram que também existe soul rock n’ roll em Portugal e editaram um dos álbuns indispensáveis em qualquer colecção de discos, “Eclesiastes 1.11”.

No último trimestre do ano, foi finalmente editado o álbum dos Pluto, a banda que nasceu das cinzas dos Ornatos Violeta. Com “Bom dia”, a banda de Manuel Cruz criou um extraordinário “hype” em torno das suas músicas e juntou no mesmo “saco” os fãs dos Ornatos, que há muito ansiavam novidades, e aqueles que conheceram agora a música da banda do Porto.

Estes são três exemplos do melhor que se fez na música nacional, mas felizmente não são os únicos. Loto, Gomo, Rose Blanket, Hipnótica, Mercado Negro, Chullage, The Gift, Norton, Micro Audio Waves, Bulllet, Loosers, Quinteto Tati, A Naifa… foram todos co-responsáveis pela excelente valorização da música nacional no decorrer do último ano e que começa também a dar cartas no estrangeiro.

Na Rua de Baixo, temos contribuido para divulgar a boa música nacional e aquela que não depende apenas das vendas para sobreviver. Para além de todos os “consagrados”, recebemos muitas boas surpresas no decorrer de 2004, como por exemplo os The Attic, que merecem maior destaque na música portuguesa.

O ano que agora começa, tem tudo para ser excelente e consolidar a boa música portuguesa dentro do nosso país mas também no estrangeiro onde começamos a dar cartas. Para isso é necessário um (ainda) maior envolvimento do público.

No início do 2º ano de edições, a Rua de Baixo compromete-se a divulgar e apoiar a nova música portuguesa e lança um convite a todos (editoras, bandas, colaboradores, leitores) para se unirem à nossa “missão”. Aceitam o convite?



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