Dark Souls II

Dark Souls II | Análise

Um forte candidato a jogo do ano

Graças ao Sol, caros amaldiçoados! Dark Souls está de volta. Nesta segunda entrada (terceira da série Souls) a simpática malta da FromSoftware traz-nos um novo, mas igualmente hostil, mundo onde a exploração, além de obrigatória, é mais livre (sob nossa conta e risco evidentemente). Em Dark Souls II regressa o vasto leque de inimigos e situações que temos de superar e, claro, os confrontos épicos com bosses. Vistam a vossa armadura, equipem as vossas armas, e vamos mais uma vez mostrar de que é que os amaldiçoados escolhidos e incansáveis são feitos.

Visualmente Dark Souls II consegue surpreender, de tal forma que por vezes tive de me lembrar que estava a jogar na Playstation 3 (sistema onde foi testado este título). O novo motor gráfico desenvolvido pela FromSoftware confere efeitos de luz e um tratamento aos cenários nunca antes visto na série. Explorar o mundo de Dark Souls II torna-se, como disse, uma obrigatoriedade pois além de querermos descobrir todos os seus segredos, queremos também apreciar na totalidade todo o espetáculo visual que tem para nos oferecer.

No que diz respeito à história esta é aquela a que já estamos habituados. O reino de Drangleic, outrora tão próspero como esplendoroso caíu em desgraça após uma série de eventos trágicos. Essa queda levou à devastação de Drangleic e ao aparecimento de uma maldição. A maldição dos “não-mortos”, ou melhor dos “mortos-vivos”. O nosso protagonista, apesar de também ele ser amaldiçoado, tem como missão quebrar esta horrível maldição e salvar o reino de Drangleic e as gentes que se encontram também vítimas da maldiçção. Apesar da acção de Dark Souls II ter lugar algures no futuro do título anterior, a história tem mais semelhanças com Demon’s Souls. Exemplo disso é o facto de precisarmos de falar com uma rapariga, se quisermos fazer Level Up ao nosso personagem, isto acontecia em Demon’s Souls, no primeiro Dark Souls, bastava sentarmo-nos num Bonfire.

Dark Souls II

Falando dos Bonfires, à medida que os vamos encontrando nas nossas viagens por este mundo traiçoeiro, a opção Travel fica imediatamente disponível. Isto permite-nos saltar de Bonfire para Bonfire, ou seja de zona para zona. Ao contrário do que acontecia no título anterior no qual esta opção só ficava disponível já muito perto do fim do jogo. Podem pensar que isto torna as coisas mais fáceis. A meu ver isto mostra acessibilidade. Dark Souls II é enorme, tanto em longevidade como nos cenários. Se estivermos bloqueados numa zona na qual nos aventurámos cedo demais é bom saber que podemos sair para outra e mais tarde voltar e retomar do ponto onde ficámos.

Não me canso de dizer que os cenários são um hino à exploração, os segredos são imensos neste título. Analisar os cenários com o máximo cuidado e atenção é essêncial. Para os explorarmos foi implementada uma novidade. Nos Bonfires podemos acender tochas que, claro, iluminam as zonas mais escuras, os efeitos de luz nas pedras das grutas é simplesmente fantástico mas mais incrível ainda é a reacção de algumas criaturas à nossa imponente tocha. Muitas delas abominam a luz e deixam de nos atacar enquanto empunharmos a nossa tocha. Se formos atacados, podemos recorrer ao nosso tão bem conhecido Estus Flask. No entanto, no início do jogo só temos um à nossa disposição, o que fazer então? Surgem agora também as Gems, que nos ajudam a regenerar os nossos pontos de vida. Quanto mais forte for a Gem, mais pontos de vida recupera e mais depressa. A exploração torna-se assim cada vez mais aliciante, mas há um grande senão. A penalidade, a dura penalidade, que surge sempre que morremos. Ou não fosse isto o Dark Souls, a morte espreita a cada canto e muitas das vezes consegue levar a sua avante. Pois bem, assim que morremos, o nosso personagem, tão formosa e elegantemente criado por nós, muda de aspecto para Hollow. A partir daí, à nossa barra de vida, vão sendo cortados os pontos de vida com que revivemos. Os nossos atributos não são alterados, mas a nossa vulnerabilidade é severamente afectada, onde chegará a altura em que um simples toque de um inimigo é o suficiente para nos derrotar. Aqui surge outro item, a Effigy que ao ser utilizada nos torna novamente humanos e restaura a nossa barra de pontos de vida. Infelizmente estes itens não são abundantes e daí que por vezes a exploração, por mais obrigatória que seja, pode custar-nos caro se não formos bem preparados.

Dark Souls II

A jogabilidade está mais refinada. As animações dos personagens e forma como estes agora manejam as suas armas, foram mais trabalhadas e isso nota-se. O dual-wield (capacidade de utilizarmos duas armas, uma em cada mão) é desta vez mais viável, bem como as builds de Strength, que já não serão tão facilmente dominadas pelas de Dexterity. Os efeitos dos feitiços foram também mais trabalhados e claro que há uma maior variedade deles para descobrir. Mas, a maior novidade encontra-se nos atributos. Surge agora um novo chamado Adaptability. Este atributo afecta a nossa agilidade, o rebolar para desviar de ataques, e a rapidez com que utilizamos os itens que recuperam os nossos pontos de vida, Estus Flasks, Gems e também a Poise (equilibrio ao receber golpes inimigos) do nosso personagem. Este pode tornar-se um atributo vital para Builds melee. Já se forem casters, vão gostar de saber que também o Attunement sofreu algumas alterações. Este atributo além de aumentar o número de feitiços que podemos levar connosco, aumenta também a rapidez com que os lançamos.

Preparem bem os vossos personagens, gastem as vossas almas com cuidado, pois nas vossas viagens vão dar de caras com os invitáveis Phantoms e bosses. Neste título, são cerca de trinta os bosses que terão de enfrentar, cada um mais terrífico que o outro e onde ao mínimo erro… Já sabem o que acontece aí certo? Lutar contra estas criaturas continua a ser espectacular e não existem lutas iguais, salvo uma ou outra que vos será muito familiar uma vez que se trata de um regresso (simpática a malta da FromSoftware, não é?). Vamos também encontrando vários npcs que nos ajudam a perceber a história do reino de Dangleic e o que os trouxe a este mundo.

Assim como os bosses, também os Covenants estão de regresso. Há para todos os gostos, se quisermos participar em co-op temos o Heirs of the Sun ou o Way of the Blue. Se quiserem PvP, temos Brotherhood of Blood, Blue Sentinels, Bell Keepers, Rat King e Dragon Remnants. Aproveito para dizer que a única forma de escapar ao PvP é jogar offline. Isto porque agora não importa se estamos vivos ou mortos, podemos ser sempre alvo de uma invasão. Para a malta de PvE contem com Company of Champions e Pilgrims of Dark. Informo que o Company of Champions acrescenta uma nova dificuldade ao jogo e desactiva todo o possível co-op, ou seja deixamos de poder invocar outros jogadores para nos ajudar e vice-versa. Todos, mas mesmo todos os inimigos têm mais poder de ataque e defesa. Enfim, o Covenant perfeito para os fãs mais Hard-Core de Dark Souls.Todos diferentes, há Covenants para todos os gostos, cada um com as suas recompensas e segredos que não vos vou estragar.

Não se preocupem aqueles que julgavam que este ia ser um título mais “meigo” que o anterior. Dark Souls II consegue ser tão ou até mesmo mais brutal que o seu antecessor, onde seremos castigados de formas nunca vistas pelos nossos erros. Os segredos são imensos, bem como os seus cenários, e continua a ser extremamente gratificante superar as várias situações onde a morte parece ser inevitável. Com cerca de 70 horas de jogo onde deixei ainda muito por desvendar, Dark Souls II apresenta-se como um título que é já um forte candidato a jogo do ano. E sim ainda estamos no início do ano.



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