Festa do Cinema Italiano

Festa do Cinema Italiano

O cinema Italiano regressa às nossas salas. Existem muitos filmes para ver. Estes são os nossos destaques

A poucos dias de se dar início à 7ª edição do 8½ Festa do Cinema Italiano, que terá início no dia 10 de Abril no Cinema São Jorge (e que passará por vários salas de norte a sul do país, incluindo o Funchal) chega a altura de olharmos para o programa e nos deixarmos deleitar com os mimos cinematográficos e novidades que este ano chegarão até nós. As produções italianas mais relevantes da última temporada foram selecionadas sob o tema ‘Família Italiana – La Famiglia’.

Sete é o número de filmes que fazem parte da secção Competitiva e que concorrem ao Prémio de Melhor Filme. Todos são primeiras ou segundas obras de novos autores italianos. Destaca-se:

La mia classe do realizador Daniel Gaglianone, um filme que se balanceia entre o drama social, o filme docu-ficção e uma reflexão meta-cinematográfica. Protagonizado por Valerio Mastandrea, que que falar em Gli equilibristi, apresentado na edição passada do 8½, o filme apresenta uma génese complexa onde o discurso do trabalho do cineasta encaixa na perfeição.

Salvo, o filme de Antonio Piazza e Fabio Grassadonia vencedor do Prémio da Semana da Crítica do Festival de Cannes. A dupla de realizadores é responsável por uma obra onde o estilo e características do filme noir são transformados em algo de diferente, onde a rigidez do género é sublimado uma história profundamente humana e comovente sobre um assassino profissional da máfia siciliana.

The Special Need, a corajosa estreia de Carlo Zoratti. O documentária aborda um conto existencial, sob a forma de road movie, de um homem com autismo que se encontra numa demanda por uma mulher. Trata-se de um comentário à crua realidade nacional e à falta de apoios do Estado para situações como a que o protagonista se encontra.

Fazem parte ainda desta secção: L’arbitro de Paolo Zucca; La mafia uccide solo d’estate de Pif (Pierfrancesco Diliberto); La prima neve de Andrea Segre e Zoran, il mio nipote scemo de Matteo Oleooto.

Se a secção Competitiva pretende dar voz a realizadores emergentes, a secção Panarama, eclética mas coerente, dedica-se às recentes longas-metragens de alguns dos mais conceituados realizadores italianos, que despertaram o interesse da crítica internacional.

Dos seis filmes que fazem parte desta secção destaco dois: Via Castellana Bandiera de Emma Dante e Viva la libertà de Roberto Andó.

O primeiro é um retrato capaz de fazer reflectir sobre os lugares comuns, sem nunca manipulá-los, enquanto está consciente que conseguirá apelar a um público mais vasto. A obra de Emma Dante foi apresentada no último Festival de Veneza, de onde saiu com cinco prémio incluindo o Volpi Cup de Melhor Actriz.

O segundo é uma representação do momento histórico particular italiano através de uma visão sonhadora, quase teatral entre uma comédia de enganos de Shakespeare e o relativismo de Pirandello. Este é o filme escolhido para a sessão de abertura.

Os restantes quatro títulos são: Anni felici de Daniele Luchetti; Il capitale umano de Paolo Virzì (sessão de encerramento no dia 18 de Abril); L’intrepido de Gianni Amelio e Smetto quando voglio de Sydney Sibilia.

Nesta edição o 8½ Festa do Cinema Italiano pretende prestar mais atenção a dois dos mais importantes festivais italianos reconhecidos a nível internacional, com os quais te a honra de colaborar: Giffoni Film Festival, o mais importante evento dedicado ao cinema para a infância a nível mundial; e Le Giornate de Cinema Muto di Pordenone, uma referência incontornável no panorama internacional para quem se interessa pelo cinema mudo. As referidas parceiras são duas das grandes novidades de edição deste ano. Nesta secção, Focus, são apresentadas quatro curtas-metragens, incluindo Too Much Johnson de Orson Welles que teve a sua estreia mundial em Pordenone.

A secção Amarcord regressa à Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema com uma retrospectiva inédita dedicada a Mario Bava, autor emblemático da história do Cinema Italiano e internacional, em ocasião do centenário do seu nascimento.

Nesta edição da Festa do Cinema Italiano a secção musical, Ascolta, estará de volta com a projecção do documentário Indebito de Andrea Segre, realizador premiado duplamente na edição passada. Protagonizado por Vinicio Capossela, o tema principal do documentário é a crise económica, visto a partir do ponto de vista social e, especificamente, na Grécia, um dos países mais atingidos pela recessão.

Há ainda espaço para obras audaciosas quer pela sua abordagem estética, quer pelo desenvolvimento de uma poética singular na secção Altre Visioni; bem como para o sempre tão aguardado Cine-Jantar, que este ano propõe uma exibição especial de Ultimo tango a Parigi de Bernardo Bertolucci.

 

 



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