QueerLisboa 22 ed 2018

22º Queer Lisboa | Primeiras Novidades e Destaques

O festival decorre entre 14 e 22 de Setembro em Lisboa.

Foram hoje anunciados os destaques da 22ª edição do Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer, a decorrer de 14 a 22 de Setembro, no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa. Este ano, a equipa de programação dos Festivais Queer Lisboa e Queer Porto apreciou mais de 1000 filmes, 481 deles recebidos como submissões, um número record para o festival. A programação completa, júris e convidados oficiais serão anunciados em conferência de imprensa no dia 4 de Setembro mas apresentam-se no final deste artigo a lista de filmes já anunciados pela organização do festival.

Um dos grandes destaques deste ano é um programa multidisciplinar em torno da temática do VIH/Sida, com o título “O vírus-cinema: cinema queer e VIH/Sida”, que inclui um ciclo de cinema, uma exposição e o lançamento de um livro de ensaios.

O ciclo que terá lugar na Cinemateca Portuguesa e no Cinema São Jorge pretende dar a conhecer os realizadores do vídeo-activismo do VIH/Sida e destacar a reconhecida importância social e cultural do cinema que aborda esta temática, já que muitas das obras que focaram a epidemia trouxeram inovações estéticas e narrativas à História do cinema. De entre as longas-metragens programadas, destacam-se obras como “La Pudeur ou L’Impudeur” (1992), o vídeo-diarístico filmado na primeira pessoa, de Hervé Guibert; “Buddies” (1985), de Athur J. Bressan, Jr., naquela que é a primeira ficção sobre o VIH/Sida e que será apresentada em versão recentemente restaurada; “Kids” (1995), de Larry Clark, um dos grandes filmes do cinema independente norte-americano; e “Bright Eyes”, de Stuart Marshall, um dos primeiros documentários sobre a Sida. Destaque ainda para os filmes ligados ao vídeo-activismo, nomeadamente as obras de realizadores como Gregg Bordowitz, Mike Kuchar, Matthias Müller, Gran Fury, Jerry Tarttaglia ou Mike Hoolboom.

No dia 15 de Setembro, data de início do ciclo de cinema na Cinemateca, é lançado o livro “O Vírus-Cinema: Cinema Queer e VIH/Sida”, uma edição da Associação Cultural Janela Indiscreta, organizadora, do festival, com coordenação de António Fernando Cascais e João Ferreira, que reúne um conjunto de ensaios, quase todos inéditos, onde diferentes personalidades convidadas escrevem sobre um filme que aborda esta temática(alguns apresentados no ciclo). Esta obra, financiada pela EGEAC/Cinema São Jorge, conta com ensaios de Alexandra Juhasz, António Fernando Cascais, Augusto Seabra, Bruno Maia, Cristian Rodríguez, Daniel Pinheiro, Didier Roth-Bettoni, Franck Finance-Madureira, James Mackay, Jan Le Bris De Kerne, Jean-Sébastien Chauvin, Jerry Tartaglia, João Ferreira, João Lopes, Jorge Mourinha, Maria José Campos, Mathias Klitgård Sørensen, Matthias Müller, Mike Hoolboom, Nuno Crespo, Nuno Galopim, Pedro Marum, Pedro Silvério Marques, Ricardo Vieira Lisboa, Theodore Kerr e Tom Kalin.

A completar o programa a exposição “O Vírus”, com data de inauguração marcada também para 15 de Setembro, integra obras resultantes do desafio lançado pelo artista plástico Thomas Mendonça, a convite do festival, a um conjunto de outros jovens artistas para que concebessem uma peça dedicada à temática do VIH/Sida e aos filmes programados, procurando assim uma perspectiva de como a epidemia é interpretada por uma nova geração. A exposição terá lugar na Galeria FOCO onde poderão ser vistas as obras de Christophe dos Santos, Cláudia Sofia, Diego Machargo, Fernanda Feher, João Gabriel, João Viegas, Mauro Ventura, Marta Pombo, Rui Palma e Thomas Mendonça.

O Queer Lisboa anunciou igualmente uma parceria com a ModaLisboa e o DocLisboa para a programação de um conjunto de documentários sobre o universo da moda. O Queer Lisboa antecipa assim a 51ª edição da ModaLisboa, que decorre de 11 a 14 de Outubro, apresentando 3 documentários que revelam a importância da cultura queer na moda e de como a moda tem contribuído para o esbatimento de noções heteronormativas de género. Neste programa, destaque para o filme “We Margiela” (2017), da produtora holandesa Mint Filme Office, que acompanha o nascimento da emblemática casa de moda dirigida pelo enigmático Margin Margiela, responsável por uma verdadeira revolução na indústria e que dará lugar a um debate com a presença da directora a ModaLisboa, Eduarda Abbondanza, e Rui Palma, fotógrafo de moda.

Destaque ainda para o documentário “Kevyn Aucoin – Beauty & The Beast in Me” (2017), Lori Kaye, um impressionante retrato do maquilhador Kevyn Aucoin, já falecido, feito com base nos seus próprios registos de vídeo caseiros.

O Queer Lisboa anuncia anda a estreia nacional do documentário “George Michael: Freedom – Director’s Cut” (2018), de George Michael e David Austin, uma uma exaustiva viagem pela música e vida de uma das maiores estrelas pop contemporâneas cuja carreira atravessa mais de três décadas e que teve uma estreita relação com a moda, particularmente a partir do momento em que recusou aparecer publicamente na promoção das suas canções, dando azo ao mediático processo judicial do cantor contra a Sony. O ciclo de documentários prosseguirá no Doclisboa 18.

São anunciados também os filmes de abertura e encerramento do festival, que inaugura assim a sua 22ª edição com a estreia em Lisboa de “Diamantino” (2018), de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, vencedor do Grande Prémio da 57ª Semana da Crítica da última edição do Festival de Cannes. Uma abordagem delirantemente queer e metafísica ao estado do mundo, onde Carloto Cotta interpreta Diamantino, uma estrela mundial do futebol em plena crise existencial e à mercê das suas manipuladoras e mercenárias irmãs, numa cruzada onde se confronta com expressões neofascistas, a crise dos refugiados na Europa, a modificação genética e a busca da fonte da genialidade. Uma produção da Maria & Mayer (Lisboa), da Syndrome Filmes (Rio de Janeiro) e da Films du Bélier (Paris) com que o Queer Lisboa volta a apresentar uma ficção nacional como filme de abertura do evento.

O encerramento será feito com o documentário “Bixa Travesty” (2018), realizado por Claudia Priscilla e Kiko Goifman e vencedor do prémio de Melhor Documentário do Teddy Award da Berlinale – Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde teve a sua estreia mundial, em Fevereiro deste ano. No mais recente trabalho da dupla de realizadores brasileiros cujo trabalho o Queer Lisboa tem programado desde as suas primeiras obras, a dupla propõe-nos um imaginativo e desafiante documentário dominado pela presença no ecrã da eletrizante Linn da Quebrada. Autodenominada “bixa travesty” e artista multimédia, oriunda da periferia de São Paulo, Linn ganhou notoriedade nos palcos com a canção “Enviadescer”, em 2016, sendo desde então uma pertinente e ativista voz pela defesa dos direitos das minorias queer.

FILMES ANUNCIADOS

FILME DE ABERTURA

“Diamantino”, Gabriel Abrantes, Daniel Schmidt (Portugal, França, Brasil, 2018, 92’)

FILME DE ENCERRAMENTO

“Bixa Travesty”, Claudia Priscilla, Kiko Goifman (Brasil, 2018, 75’)

CICLO O VÍRUS-CINEMA: CINEMA QUEER E VIH/SIDA

Longas-metragens

“Bright Eyes”, Stuart Marshall (Reino Unido, 1986, 79′)
“Buddies”, Arthur J. Bressan, Jr. (EUA, 1985, 81’)

“E Agora? Lembra-me”/”What Now? Remind Me”, Joaquim Pinto (Portugal, 2013, 164’)
“Fast Trip, Long Drop”, Gregg Bordowitz (EUA, 1993, 54’)

“Kids”, Larry Clark (EUA, 1995, 91’)

”Les Nuits Fauves”/”Savage Nights”, Cyril Collard (França, 1992, 126’)

”La Pudeur ou l’impudeur”, Hervé Guibert (França, 1992, 62’)

Curtas-metragens

”The Ads Epidemic”, John Greyson (Canadá, 1987, 5′)

”A.I.D.S.C.R.E.A.M.”, Jerry Tartaglia (EUA, 1988, 6′)

”Aus der Ferne” – The Memo Book, Matthias Müller (Alemanha, 1989, 28′)

”Buffalo Death Mask”, Mike Hoolboom (Canadá, 2013, 23′)

”Danny”, Stashu Kybartas (EUA, 1987, 20′)

”Ecce Homo”, Jerry Tartaglia (EUA, 1989, 7′)

”Final Solutions”, Jerry Tartaglia (EUA, 1990, 10′)

”Frank’s Cock”, Mike Hoolboom (Canadá, 1993, 8′)

”(In) Visible Women”, Ellen Spiro (EUA, 1991, 25’)

”Internal Combustion”, Alisa Lebow, Cynthia Madansky (EUA, 1995, 8′)

”Kissing Doesn’t Kill”, Tom Kalin, Gran Fury (EUA, 1990, 4′)

”The Last Time I Saw Ron”, Leslie Thornton (EUA, 1994, 12′)

”Listen to This”, Tom Rubnitz (EUA, 1992, 16′)

”Pensão Globo”, Matthias Müller (Alemanha, 1997, 14′)

”The Pictures of Dorian Gay”, Mike Kuchar (EUA, 1995, 23′)

”Some Aspect of a Shared Lifestyle”, Gregg Bordowitz (EUA, 1986, 22’)

”Steam Clean”, Richard Fung (EUA, 1991, 4′)

PANORAMA DOCUMENTÁRIOS

”George Michael: Freedom – Director’s Cut”, George Michael, David Austin (Reino Unido, 2018, 109’)

”Kevyn Aucoin – Beauty & the Beast in Me”, Lori Kaye (EUA, 2017, 90’)

”We Margiela”, mint film office (Holanda, 2017, 100’)

PANORAMA LONGAS-METRAGENS DE FICÇÃO

”L’Amour Debout”, Michaël Dacheux (França, 2018, 83’)

”Disobedience”, Sebastián Lelio

 

(EUA, Reino Unido, Irlanda, 2017, 114’)



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