30 anos d’A BARRACA

“Felizmente Há Luar” nos festejos dos 30 anos.

O Teatro português está de parabéns. No dia 4 de Março de 1976, estreava “A Cidade Dourada”, o primeiro espectáculo da BARRACA. Trinta anos depois, o grupo comemora as três décadas de existência com uma programação especial. Vale a pena estar atento a uma das mais importantes colectividades do Teatro nacional.

Com um elenco de luxo, onde figuram nomes como Maria do Céu Guerra e João D’Ávila, “Felizmente Há Luar” é a primeira produção de 2006 da BARRACA, que marca também o regresso das digressões. A peça de Luís de Sttau Monteiro, estreou em Manteigas no início de Março, partindo agora em digressão por alguns auditórios e teatros de Portugal.

Nesta peça, a partir da obra de Raul Brandão “Vida e Morte de Gomes Freire”, Luís de Sttau Monteiro mostra-nos o reino de Portugal sob o domínio dos ingleses que ocuparam o país no seguimento da vitória sobre as invasões francesas. A ditadura de William Beresford, o “aliado” ocupante, serve a Sttau Monteiro para mostrar os mecanismos de denúncia e traição que os regimes ditatoriais sempre fomentam e assim aproximar aquele período do século XIX da ditadura de Salazar sob a qual viveu.

“Felizmente Há Luar” é um dos mais importantes marcos do teatro português. Este é um dos textos que deu início a uma corrente de teatro narrativo que, na segunda metade do século XX, veio a ter seguidores em Portugal, entre os quais se contam Romeu Correia e Bernardo Santareno.

Fiquem com a sinopse da peça, através das palavras do encenador, Helder Costa:

“Há peças que marcam uma época. É o caso de “Felizmente há luar!” de Luís de Sttau Monteiro.

Foi escrita nos anos de brasa que foram o início dos anos 60 e no rescaldo da burla eleitoral que entronizou o medíocre marinheiro Américo Tomás no posto de Presidente da República roubando ao povo português a sua indiscutível escolha, o general Humberto Delgado.

A peça foi publicada e alcançou grande êxito, aliás previsível, dado o paralelismo entre a perseguição ao general Gomes Freire de Andrade e ao general que tinha entusiasmado o país anunciando que “Obviamente” iria demitir o Presidente do Conselho se fosse eleito.

Claro que a Censura proibiu a sua exibição e o autor passou a sofrer o anátema de ser anti-regime, venerado, atento e obrigado.

A resposta de Sttau Monteiro foi clara e sem equívocos. Não perdeu a arma que era a sua pena e não abrandou a luta nem a coragem.

E, por isso, teve a normal resposta do ditador Salazar: perseguições e prisão.

É bom lembrar a acção exemplar deste género de intelectuais, hoje espécime raro em Portugal e no mundo dito civilizado.”

A digressão de “Felizmente Há Luar” decorre entre Março e Maio de 2006 e a companhia segue assim a sua filosofia de levar o teatro a todos no seguimento do pensamento de Garcia Lorca que deu nome à companhia:

“A BARRACA um nome lindo. Uma coisa que se desmonta, que roda e marcha pelos caminhos do mundo…”

Fiquem com as datas já disponiveis:

12 e 13 de Março – 21h30, 14h30

Mealhada, Cine – Teatro Messias

22 de Março – 15h00, 21h30

Seixal, Auditório Municipal

27 de Março – 15h00, 21h30 

Lagos, Centro Cultural



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