30º Festival International du Film D’Environnement

30º Festival International du Film D’Environnement

Paris foi, mais uma vez, o cenário para um encontro entre Cinema e Ambiente

Aconteceu no passado mês de Fevereiro, entre os dias 09 e 26, mais uma edição do Festival Internacional de filmes sobre ambiente.

Num momento em que a neve retornara à cidade de Paris, local que acolhe o festival, nada como um cinema pequeno, mas acolhedor, a convidar os habitantes da cidade luz a questionarem-se mais uma vez sobre a temática do Ambiente. Nesta estrutura, a questão do ambiente, através da exibição de filmes específicos, é-nos mostrada. Estamos todos interligados e o nosso estilo de vida influencia toda a vida envolvente, “Efeito Borboleta”.

Este festival contou com a participação de vários países, incluindo Portugal. Em termos desta participação portuguesa participaram os filmes:

“A rua da Estrada”, de Graça Castanheira. Portugal, 2012 – 24’22”

“Em “A Rua da Estrada” percorrem-se as estradas nacionais, com a sua muito peculiar paisagem – sismógrafo do tempo que passa. Lida pelo olhar avisado do geógrafo Álvaro Domingues, uma viagem por Portugal, tal e qual como é.”

“ A última vez que vi Macau”, de João Pedro Rodrigues e João Guerra da Mata. France/Portugal, 2012 – 85’

“João Rui Guerra da Mata está a caminho de Macau, onde não voltava desde miúdo. Ainda em Lisboa, recebe um e-mail de Candy, uma amiga que não dava notícias há muito tempo. Ela diz-lhe que mais uma vez se envolveu com os homens errados e pede que João vá a Macau, onde “coisas estranhas e assustadoras” vão acontecendo. Cansado, depois de um longo vôo, ele chega à cidade a bordo do barco que o levará de volta ao tempo mais feliz de sua vida.”

Vencedor de menção honrosa e do prêmio Boccalino d’Oro (atribuído pela crítica) no Festival de Locarno de 2012

“ A cidade onde moro” de Pedro Ferreira e Samanta Correia. Portugal, 2012 – 8’30”

“A intervenção humana na mutabilidade da cidade e do território é documentada na análise da zona histórica. Nestes espaços/territórios de carácter social é evidenciada a relação dos cidadãos com o meio que habitam, a forma como o alteram e nele intervêm. O filme pretende criar um território ficcionado, alcançando uma estética abstracta focada nas cores e texturas explícitas nas fachadas dos edifícios.”

A RDB esteve à conversa com o realizador Pedro Ferreira, para descobrir um pouco sobre o seu filme e sobre como é que surgiu a ideia de participar num festival muito ambiental.

Como surge a vossa participação, da Samanta Correia e tua, neste festival?

O festival fez-me um convite com o qual fiquei muito feliz. A produção teve conhecimento do meu filme através do festival internacional de curtas-metragens de Clermont-Ferrand.

Estão a ser bem aceites neste festival. Qual é que pensam ser a receptividade, tanto da produção como do público?

A produção gostou bastante do filme, eles são muito acessíveis. O público na primeira sessão que fizemos não fez muitas perguntas, portanto não sei, podiam estar cansados da sessão pois é um bocado longa. Só surgiu uma questão… o mais importante para o público era como é que os nossos filmes se relacionavam com o meio ambiente e se quando os fizemos, como são um pouco mais experimentais, tínhamos em mente a temática do ambiente.

A segunda Q&A, correu muito bem. Surgiu a discussão sobre o que eu faço e que projectos tenho para futuro e sobre o processo de como o filme se desenvolveu até à versão final. Após a sessão alguns espectadores colocaram-me ainda mais algumas perguntas, algumas mais técnicas, sobre o equipamento que usei, outras sobre a estrutura e montagem e o porquê de mostrar pessoas no final do filme. Sim, o balanço é positivo.

E como é que se relacionam os vossos filmes com o meio ambiente? 

Bem, no meu caso, a questão da alteração da paisagem do centro histórico do Porto, com o restauro dos edifícios e toda a interacção da sociedade e desse espaço, quer demolido, quer restaurado. Eu faço o registo da memória, como é agora, para no futuro as pessoas saberem como era, de facto.

E como deixará de ser

Já há muitos edifícios que foram restaurados, existe um plano no filme que mostra o cinema Batalha que está fechado e depois ao lado há um outro hotel que abriu restaurado.

Qual foi o vosso estímulo? Mais do que o mero registo, houve mais alguma outra situação? O que é que te faz filmar? Tu na apresentação da sessão do filme falaste nas texturas e nas cores

Sim, sim. Isso é pessoal, a atracção que sinto pela cidade, pelo Porto. Gosto muito. Antes de pensar que ia fazer este documentário tinha feito vários vídeos, apenas porque gostava da porta ou coisa assim. Depois é que vi que tinha coleccionado muito material e surgiu a ideia deste documentário, que foi incluído numa disciplina do mestrado. Antes disso tinha feito um workshop, onde o desafio era procurar uma identidade alternativa para o Porto, para além da identidade turística. Eu ainda utilizo o footage para fazer filmagem experimental e depois surgiu este documentário. Isto é muito pessoal, muito, muito pessoal.

E quais são os resultados que esperas da participação neste festival? Algum prémio? Vocês estão em competição?

Sim, não sei bem o nome da competição em que estamos (Risos). Mas não espero ganhar nada. É óptimo que eu possa estar aqui e apresentar o filme, conhecer Paris, porque é a primeira vez que aqui estou.

Agrada-te a cidade?

Agrada-me. Sinto-me bastante atraído por Paris também, mas não tanto como o Porto. Gosto muito do Porto.

Falando de outro tipo de resultados, tens feito contactos? Tens tido alguma interacção com outros realizadores?

Fiz contacto com o pessoal do CineEco Seia. Eles viram o meu filme e convidaram-me para participar no festival. Com o José Vieira Mendes, já tínhamos conversado uma vez durante o curtas mas agora é que nos conhecemos mais formalmente. Porque ele é um dos organizadores do festival CineEco Seia.

E outros planos de futuro para além do CineEco Seia. Há projectos próximos?

Tenho um novo documentário, “Permanece”, que ainda não teve estreia. Trata também a mesma questão que “A Cidade Onde Moro”, mas este foca um espaço específico no centro histórico do Porto e é focado num personagem e na sua interacção com o local abandonado.



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