Kudu

Entrevista com o projecto norte-americano.

Com o novo álbum “Death of the party” já nas lojas e a receber críticas muito favoráveis em solo nacional, os norte-americanos Kudu trouxeram a Portugal o seu urban new wave. Mas, mais do que isso, são uma banda que transporta várias cores musicais dentro de si.

São Deantoni Parks e Sylvia G. quem cria este ambiente… Conversámos com a vocalista Sylvia G. e ficamos a saber um pouco mais sobre os Kudu (antes do concerto no Hype).

É a vossa primeira vez em Portugal, têm alguma expectativa em relação a este espectáculo inserido no Hype @ Tejo em Lisboa?

Nós tentamos não criar expectativas, já que a vida tem uma maneira muito peculiar de nos dar o inesperado. Dito isto, a tua mente não te pode ajudar, a não ser criando uma imagem…eu vejo o sol, o mar e um grande palco.

Sobre o vosso último trabalho, “Death of the party”… é bastante diferente da maior parte das bandas nova-iorquinas. O vosso electro groove mostra-nos que existe muito mais do que Nova Iorque nos vossos álbuns. Como é o vosso processo de gravação? Quais as vossas inspirações?

O processo de gravação foi longo e com muitas pausas. Nós não tínhamos nenhum fundo financeiro e por isso tivemos que esperar na fila atrás dos clientes que pagavam mais, o que por vezes nos atrasava. A maior parte das músicas foram feitas em casa e depois gravámos as vozes e mixámos no estúdio.

As minhas principais influências para este álbum foram as minhas experiências na vida nocturna da cidade de Nova Iorque e o comportamento social que ela contém, um bocadinho de colorida, divertida, deboche inconsciente. Estou contente por procurar inspiração noutras áreas diferentes, para outras músicas que eu estou a trabalhar agora.

Este é o vosso quarto álbum, depois de “Kudu (The red album)”, “Kudu – The EP” and the “Boom Boom EP”. Alguns dizem que vocês soam a urban new wave e nu-pop, outros dizem que têm um pouco de jazz e punk. Como é que vocês se ouvem?

Não tenho a certeza como nos podes rotular, todas essas coisas encaixam algures mas não completamente. Nós passeamos por tantos géneros musicais diferentes e ainda agora estamos a encontrar o nosso próprio e coeso som. Mas eu penso que é importante explorar e juntar várias cores musicais para mais tarde as utilizares. Parece-me que simplicidade e clareza são os temas comuns. Acho que no final o rótulo seria ‘pop’.

Também é comum vocês remisturarem os vossos próprios temas. Gostam de recriar o vosso trabalho? É como gostarem de desfazer as musica. É esse o outro lado dos Kudu?

Claro, nunca estou satisfeita… se existe energia suficiente para refazer alguma coisa, eu sou totalmente a favor. Estás a fazer algo de novo, e sabendo que toda a música é baseada em outra coisa qualquer e tudo é construído numa estrutura prévia podes sempre torná-la em algo totalmente irreconhecível dos seus antepassados.

Ao vivo os Kudu viajam com uma banda. O que podemos esperar de um concerto dos Kudu?

Boa energia, mistério, cor, uma actuação de bateria delirante de um dos grandes mestres de bateria, um grupo a alcançar um lugar para lá do normal.

“Death of the party” foi lançado pela Nublu (editora com sede em N.Y.) e estou particularmente atento à editora porque tive a oportunidade de conhecer uma das artistas, Karina Zeviani quando ela veio a Portugal actuar com os Thievery Corporation. Podes falar-nos um pouco sobre o conceito da Nublu e o que andam a fazer?

A Nublu é um organismo generoso que permite aos músicos crescer sem restrições. Os Kudu talvez não se encaixem no som da Nublu, mas têm-nos acarinhado e por isso estamos gratos. A editora Nublu tem uma vibração bastante adulta, de um jazz electrónico contemporâneo…no geral eu não quero ser um adulto.

Têm algum projecto na manga? Quais os vossos planos?

Os Kudu estão neste momento com seis canções já do próximo álbum e eu estou a gravar e a actuar a solo sob o nome de Betty Black.

A B.B. tem uma música mais relaxada e negra, com instrumentos tradicionais americanos numa fusão com produção moderna. Quase que a versão moderna e negra do Johnny Cash e Dolly Parton. Também toco baixo com os Inflagranti Live da Codek Records, uma banda só de mulheres que tocam disco/electro-house.

O Deantoni Parks está sempre a compor som, ele tem um catálogo de centenas e centenas de faixas e também tem escrito e tocado para o próximo álbum do John Cale, assim como os próximos lançamentos da Me’Shell N’degeocello.



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