35º Vilar de Mouros

Os destaques RDB no festival mais antigo de Portugal.

Apesar de ser o festival mais antigo de Portugal, Vilar de Mouros tem vindo nos últimos anos a perder terreno para os seus principais concorrentes, nomeadamente Paredes de Coura e para o Sudoeste.

Incapaz de competir com o poderio financeiro destes dois certames em particular, Vilar de Mouros tem sabido gerir a tradição e consolidou firmemente a sua posição na, cada vez mais, alargada oferta nacional de festivais de verão, mantendo a aposta em projectos de créditos firmados, tanto em território nacional como internacional. O selo de qualidade é, assim, garantido em cada edição de Vilar de Mouros.

Este ano celebra-se o 35º aniversário daquele que é o mais antigo festival de verão de Portugal. Em 1971 subiam ao palco de Vilar de Mouros nomes tão díspares quanto o de Elton John, Amália Rodrigues ou o Quarteto 1111. Agora, 35 anos depois, o cartaz faz-se com Sepultura, Iggy & The Stooges e Craddle Of Filth nos lugares de destaque.

Trinta e cinco é mesmo o número-chave desta edição. São trinta e cinco bandas a trinta e cinco euros o bilhete para comemorar este trigésimo quinto aniversário de Vilar de Mouros – foi esta a forma que a organização achou para marcar esta bonita data.

Numa programação de três dias, com um cartaz tão heterógeno quanto o de Vilar de Mouros, é complicado apontar este ou aquele nome de entre a extensa lista de bandas presentes. No entanto, a Rua de Baixo arregaçou mangas e decidiu elaborar o seu próprio guia para a edição deste ano. Eis então os Destaques RDB.

Táxi

Os Táxi são os autores da melhor canção pop portuguesa de todo o sempre – quem não conhece essa irresistível pastilha elástica musical que se cola ao cérebro de forma automática que é «Chiclete»?

O êxito deste single, incluido no álbum de estreia homónimo de 1981, inscreveu os Táxi no imaginário musical português nos profícuos anos 80 e na onda vanguardista que foi apelidada de o novo rock português.

Os Táxi foram autores de alguma da melhor música pop que se fez em Portugal e sempre com a particularidade de cantarem em português, com excepção do último álbum, “The Night”, que talvez por isso tenha passado despercebido à crítica nacional. Além disso, são ainda detentores de um dos mais originais álbuns no que diz respeito ao seu suporte físico: o disco de 1982, “Cairo”, tinha a particularidade de vir dentro de uma lata, semelhante às das bobines dos filmes.

Quase duas décadas depois, Henrique Oliveira (guitarra), Rodrigo Freitas (bateria), Rui Taborda (baixo) e João Grande (voz) voltam a reunir-se para uma actuação em Vilar de Mouros, naquele que será, certamente, o concerto mais nostálgico do festival.

The Vicious 5

A realidade musical portuguesa tem apresentado uma vitalidade algo surpreendente, tanto em quantidade como em qualidade. E os Vicious 5 são os pontas-de-lança indiscutíveis da vaga lisboeta que começa a invadir a imprensa especializada.

Depois de uma entrada de rompante com o EP “Electric Chants Of Disenchant”, os Vicious 5 construíram uma reputação no circuito subterrâneo que os começou a preceder, graças às suas actuações electrizantes de punk-rock. Daí até à explosão final foi um pequeno pulo: em 2005 gravaram o álbum de estreia, “Up On The Walls”, que constou em quase todas as listas dos melhores álbuns nacionais do ano por parte da imprensa especializada.

Para Vilar de Mouros, mais do que um motim, espera-se uma festa destes novos ícones da juventude portuguesa.

Mojave 3

É a estreia em Portugal mais aguardada do cartaz de Vilar de Mouros, a do colectivo britânico Mojave 3.

Com cinco álbuns bastante ecléticos no currículo, os Mojave 3 lançam âncoras no universo indie e folk, o que lhes já valeu várias comparações com gente como Nick Drake ou Bob Dylan. Na bagagem trazem certamente “Puzzles Like You”, álbum power-pop que lhes voltou a granjear críticas positivas por parte da imprensa internacional, depois de ”Waves Are Universal”.

The Datsuns

Não é certamente o nome mais sonante do festival. Também não têm nenhum trabalho novo de originais a apresentar, uma vez que o último álbum, “Outta Sight/Outta Mind”, já data de 2004 (apesar de terem um EP pronto a sair). Nem é tão-pouco uma estreia nos palcos portugueses. Contudo, os neo-zelandeses The Datsuns são um dos projectos a não perder de vista nesta edição de Vilar de Mouros.

Saltaram para a ribalta em 2002 apanhando o comboio do revivalismo rock’n’roll que havia partido há pouco tempo. No entanto, longe das influências garageiras de bandas como os White Stripes ou os The Hives, os The Datsuns baseavam a sua sonoridade no hard-rock dos anos 70, citando bandas como os Deep Purple, os Cheap Trick, ou os Led Zeppelin.

Depois de Paredes de Coura, é a vez de Vilar de Mouros receber a visista destes rawk’n’rollers neo-zelandeses, a provar aos que consideram a sua música datada de que o rock’n’roll é intemporal.

Iggy & The Stooges

No final dos anos 60/início dos anos 70, um quarteto de jovens de Detroit inscreveu o seu nome na história da música, ao redefinir o rock’n’roll a distorção. Chamavam-se The Stooges e tinham como líder um carismático, mas bizarro vocalista, chamado Iggy Pop. Agora, quase quatro décadas depois, os Stooges são vistos como os percursores do punk-rock e o primeiro passo para a sonoridade de bandas como os Sonic Youth. Iggy Pop, por sua vez, foi tomado a uma posição elevada de ícone cultural.

Os Stooges não tocavam particularmente bem, antes pelo contrário. Aliás, o seu som era áspero e rude e muitas vezes imperceptível. No entanto, foi isso mesmo que lhes deu reconhecimento. Numa época em que o rock vivia do swing do r&b, os Stooges despiram-no até à sua essência mais pura, com o verdadeiro espírito garageiro que iria explodir na América anos depois. Esse som primitivo, aliado às actuações diabólicas, sempre lideradas por Iggy Pop, uma espécie de Jim Morrison possuído por sete demónios, que se dilacerava em palco ou mergulhava sobre a multidão de qualquer forma, transformaram a banda de Detroit na maior sensação rock da altura, apesar da crítica não ter sido simpática com os álbuns na altura.

A carreira dos Stooges não durou muito, desmoronando-se perante a filosofia de vida sexo, drogas e rock’n’roll que a banda parecia levar ao extremo. Iggy Pop foi, no entanto, resgatado da heroína por David Bowie, que impulsionou a sua tímida e nem sempre interessante carreira a solo.

Esta história só volta a encontrar um capítulo de destaque em 2003, com “Skull Ring”, o último álbum de originais de Iggy Pop. É que em quatro dos temas que compunham o disco, Iggy voltava a reunir os Stooges à sua volta, Ron e Scott Asheton e Mike Watt. A partir daí, o nome dos Stooges voltou a ser inassociável do de Iggy Pop, com quem tem andando em digressão, que até já passou por Portugal, no último ano, no Super Bock Super Rock. Agora, serão, sem dúvida, o nome mais forte no Festival de Vilar de Mouros e aqueles que prometem a mais endiabrada actuação dos três dias: é que Iggy Pop pode já ter 59 anos, mas não é por isso que acalmou as suas prestações em palco.



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