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3X3

O cinema digital está cada vez melhor e recomenda-se. Entrevista com Nuno Rocha.

Que o diga o jovem realizador Nuno Rocha, vencedor do prémio Zon Criatividade em Multimédia 2008 no valor total de 100 Mil Euros, pela genialidade da sua recente curta-metragem “3×3”.

Com algum carácter social, “3×3” é uma narrativa linear filmada em alta definição (HD) muito bem estruturada, planeada e executada por este jovem realizador de 31 anos, natural do Porto.

Aqueles que já tiveram a rara oportunidade de ver o filme em versão integral não puderam deixar de ficar indiferentes a esta comédia muda, que mostra uma cativante disputa entre um segurança e um empregado de limpeza de um ginásio e aquilo que os motiva no alcançar dos seus objectivos.

Por enquanto só está disponível para visionamento um pequeno teaser na internet, para não prejudicar o percurso nos festivais.

Com uma, ainda curta, mas já bastante premiada filmografia nos mais importantes festivais de cinema cá dentro e lá fora, quisemos falar com Nuno Rocha, saber um pouco mais de si e  do “3×3”, e quais os planos para o futuro porque, acreditem, vamos ouvir falar dele muitas mais vezes.

RDB – Qual é a tua formação?

Nuno Rocha (NR) – Sou licenciado em Tecnologia da Comunicação Audiovisual pelo IPP (Instituto Politécnico do Porto).

RDB – Como é que tiveste conhecimento do concurso e o que te levou a concorrer?

NR – Tive conhecimento do concurso através de um amigo.  Uma série de razões levaram-me a participar no nele. Estava disponível e podia investir algum tempo e dinheiro; O valor monetário do prémio era suficientemente estimulante; A ideia que comecei a desenvolver, na minha opinião, tinha um grande potencial. Também tinha interesse em que o filme viesse a seguir um percurso nos festivais de cinema.

Como a curta-metragem foi desenvolvida a pensar no concurso Zon, e por se tratar de um prémio que visava reconhecer essencialmente a criatividade, todo o conteúdo foi muito bem trabalhado antes de decidir avançar com a produção propriamente dita.

RDB – Como surgiu a ideia do “3×3” e como é que a desenvolveste?

NR – Quando comecei a escrever o guião, tinha traçado o objectivo que teria de ser algo comercial, aparentemente simples, com uma narrativa linear, mas com um cuidado redobrado no conteúdo e direcção de actores. Por se tratar de uma comédia com ausência de diálogos, era muito importante abordar uma linguagem um pouco estereotipada das personagens com acções um pouco caricaturadas, com planos de duração suficiente e um crescendo constante e interessante no argumento para não permitir a desatenção do espectador.

RDB – Que apoios tiveste?

NR – Como também assumi a produção, todas as despesas deste projecto saíram do meu bolso. No entanto, o curso que frequentei na faculdade (TCAV) e os serviços de vídeo do IPP – ESMAE, apoiaram o filme na medida do possível, cedendo o estúdio e algum material de produção.

RDB – A que se deveu a escolha de filmares em HD? Quem fez a fotografia?

NR – O orçamento era muito reduzido para este filme e como tal a equipa também (cerca de 10 pessoas). O facto de só existirem duas personagens e dois decors também ajudou. Como tal, tive que me desdobrar em várias tarefas, como a direcção de arte ou mesmo a direcção de fotografia.

Embora não me considere um director de fotografia, penso que o resultado final ficou aceitável.
A escolha do HD foi natural. Queria a melhor qualidade possível com menos investimento. Tive a oportunidade de pela primeira vez experimentar a famosa câmara “RED” e fiquei muito surpreendido com os resultados. O cinema digital está cada vez melhor e recomenda-se.

RDB – Como escolheste os actores? Quem são eles?

NR – Por se tratar de um filme mudo onde não há lugar a qualquer tipo de diálogos, as personagens tinham obrigatoriamente que ser suportadas pela sua caracterização física, pelas expressões, olhares. Eu não precisava de actores profissionais, apenas alguém expressivo, único, com empatia com a câmara. Já conhecia os dois actores há alguns anos, o João Marçal que desempenha a personagem do empregado de limpeza e o Ricardo Azevedo no papel do segurança. Eles já tinham participado em algumas curtas académicas. Apesar da inexperiência de representação, eu sabia que tinha as pessoas ideais para aquelas personagens. Falei com eles sobre o projecto que estava a desenvolver e demonstrei o meu interesse em trabalhar com eles. Gostaram muito da ideia e aceitaram participar. Acabei por cancelar o casting que tinha agendado.

RDB – Quais os canais de distribuição/exibição que o filme vai ter, e quando é que o podemos ver?

NR – A Zon Lusomundo mostrou interesse em colocar o filme nas salas de cinema. A par disso, a agência de curtas-metragens de Vila do Conde está neste momento a promover o filme nos festivais internacionais. Por muita pena minha, muito provavelmente só para o ano é que estimo colocá-lo online para todos verem. Tem que se queimar um cartucho de cada vez.

RDB – O que pretendes fazer no futuro?

NR – Tenho algumas ideias em desenvolvimento para curtas-metragens e uma outra para uma longa. Espero em breve poder avançar com estes projectos.



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