“4 AD HOC” de Eugéne Labiche, no Teatro da Cornucópia

“4 AD HOC”

Faça um nó no lenço para não se esquecer de ir à Cornucópia até dia 15 de Dezembro!

A escolha de um genro. Dois refinados malandros. A viagem. A dama com as pernas côr do mar.

São quatro histórias escolhidas a dedo e que podiam acontecer em qualquer lado e em qualquer época. São quatro histórias leves e bem dispostas de encontros e desencontros caricatos e desastrados que podiam acontecer num dia-a-dia com imaginação e humor. A Cornucópia chamou-lhes “4 Ad Hoc”. Foram escritas por Eugéne Labiche, o poeta do absurdo do teatro francês no século XIX.

Imagine se o seu empregado doméstico é o seu futuro sogro disfarçado e você encontra-se em teste matrimonial sem saber? Imagine que a única vez que foi a um restaurante foi uma experiência traumática e que quem cuspiu no prato de macarrão de outrora é agora quem o recebe no quarto de núpcias na sua lua de mel? E que o seu marido foi amante da mulher desse criado do hotel? Imagine agora que foi preso por um crime de bigamia e que o seu companheiro de cela é o ofendido marido da sua amante? E por fim, imagine que a peça que foi ver mais não é do que um ensaio, com cães verdadeiros e interrupções em cena por causa de problemas reais da vida pessoal dos actores?

Podem reclamar por aqui estar a abrir o pano sobre as 4 histórias ad hoc. “Estão nesse direito mas bonito não é!”… reclamar, claro.

Tem momentos hilariantes e surpreendentes como a queda quase real do actor Dinarte Branco para o chão ao pé do público ou a dança saltitante e ridícula do nosso Luis Miguel Cintra ou até as cantorias à desgarrada dos dois malandros amantes, Luis Miguel Cintra e Ricardo Aibéo.

São histórias contadas e cantadas, bem encenadas e divertidas, com gargalhadas estridentes da Sofia Marques que convidam a ir ao teatro e esquecer a crise do mundo lá de fora. Tem bons actores, piano ao vivo, músicas melódicas, cenários versáteis, luzes satisfatórias e um guarda-roupa a melhorar.

Pode contar em encontrar por lá frase divinas como esta: “Ela não é vesga, só tem um olho que implora aos céus!”.

A não perder, na Cornucópia perto de si, só até 15 de Dezembro.



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