5º Aniversário da Thisco

Entrevista com Luís Van Seixas, um dos responsáveis.

Cinco anos após a sua fundação, a Thisco continua a ser uma das mais importantes divulgadoras de música em Portugal. A aposta na diferença e diversidade de sonoridades tem-lhes valido algumas críticas bastante positivas na imprensa estrangeira, sendo que em Portugal continuam a ser “ignorados” por grande parte dos media. Será esse o preço a pagar pela THISCOrdância?

Desde o início do projecto, a Thisco assumiu a sua total independência em relação ao status quo existente no meio discográfico nacional. Sem qualquer tipo de preocupação comercial, a editora deu a conhecer ao público géneros e sonoridades experimentais, quase sempre relacionadas com a electrónica, de artistas nacionais e estrangeiros que dificilmente iriam encontrar um espaço editorial em Portugal.

No decorrer do ano passado a Thisco passou a ser uma Associação Cultural, uma decisão única em Portugal (no que diz respeito a editoras) e que trouxe claros benefícios para o consumidor, associado neste caso, bem como para a Thisco, que assim conseguiu criar uma verdadeira comunidade em torno da música e conceitos que representa.

Estivemos à conversa com Luís Van Seixas, um dos mentores da Thisco, que nos fez o balanço destes cinco anos de actividade, ao mesmo tempo que nos apontou o caminho que a Associação pretende seguir. Esta é uma óptima oportunidade para ficarem a conhecer este projecto e, se assim entenderem, juntarem-se à comunidade.

RDB: Como começou a Thisco? Quais eram os objectivos iniciais?

Luís Van Seixas: Promoção de artistas portugueses, dos estilos musicais mais diversos, desde que assumidamente outsiders. Penso que na essência é isto.

Conseguiram alcançar os objectivos?

Em parte… e é exactamente existir algo por concluir, por fazer e por realizar, que nos impele a desenvolver a Thisco.

Qual o balanço destes cinco anos de actividade?

Penso muitas vezes que foram cinco loucos anos de trabalho e de dedicação, que me obrigaram a um grande esforço, no meu entender muito bem empregue!

Agradeço aos músicos e artistas, nacionais e estrangeiros, que colaboraram connosco, pois conseguimos um número surpreendente de edições (perto de quarenta) e colocamos Portugal mas revista e websites dedicados à música electrónica, experimental e dark.

Acham que o panorama musical nacional se alterou muito nestes últimos cinco anos?

No meu entender sim. As multinacionais passaram a rever em baixa as perspectivas de lucro, as netlabels são uma realidade incontornável, as pequenas editoras como a Thisco (Borland, Loop, Variz,  Monocromática…) assumiram-se como bastiões de qualidade e variedade e, o melhor de tudo, a música tornou-se cada vez mais de quem a ouve e não da firma que a coloca nas lojas.

Vocês representam um tipo de som que não passa nas rádios e é pouco divulgado na imprensa. Têm sentido essa dificuldade de divulgação?

Claro que não passa na rádio. Essencialmente, porque não tem voz e é difícil ultrapassar esse tabu cultural. Se reparares, existem editoras e associações que não têm nem metade daquilo que a Thisco realizou até hoje e têm dez vezes mais visibilidade nos media. É uma questão de hype… Na imprensa, diria que estamos a ter destaques frequentes (na de língua estrangeira, claro), mas fundamentalmente tentamos passar a palavra de outras formas.

Recentemente a Thisco passou a ser uma Associação Cultural. Quais foram as vantagens dessa mudança?

Passou a ser possível acolher no seio da editora associados comprometidos com os propósitos de mudança e com a quotização oferecer o catálogo e garantir a continuidade do processo de divulgação.

Explica-nos as vantagens de ser “sócio” da vossa associação?

Para já recebe todas as edições do ano correspondente, entre 8 a 12 CD’s. Recebe também a t-shirt e outro material promocional e poderá ser incluído na próxima compilação, como sucedeu com os participantes do CD duplo promocional “Shock of This Light”. Mas a grande recompensa é o passar a fazer parte de uma comunidade culturalmente activa e inconformada e participar nesta acção contínua de conspiração positiva.

Existiu uma adesão interessante ou ficaram um pouco abaixo das expectativas?

Os músicos que já tinham assumido laços de amizade com a Thisco aderiram quase de imediato. Como a divulgação é reduzida pelos motivos acima mencionados, a adesão de outros é sempre complicada; muitos não acreditam que seja possível receber dez cd’s por ano por apenas 30 euros….

Situa-nos a nível de lançamentos. Quais são os projectos que têm estado a promover e quais vão ser os próximos lançamentos?

Iremos lançar muito em breve projectos mais étnicos e acústicos nacionais, como o “In Tempus” de David Reis, ex-Phantom Vision, em Novembro. Continuar a angariar nomes internacionais para spoken word e experimental, produzir o split cd de Tatsumaki/Devhour/City of Industry (às voltas dentro do electro industrial agressivo), o segundo de Samuel Jerónimo de título “Rima”, o álbum de Slow Soldier, “New Under the Volt”, e a banda sonora criada por Phil Von (dos Von Magnet) para a peça multimédia homónima, “Deadline Now”. Outros nomes estão na calha….

Têm efectuado, sempre que possível, algumas festas com a presença dos projectos que apoiam. Têm tido uma boa afluência? Qual tem sido o espírito? Existem mais festas agendadas?

A presença de público varia consoante a localização, o dia e o meio (cidade, capital, discoteca,…). São proporcionais à dimensão do meio cultural português, mas penso que temos conseguido fazer passar a mensagem de revolta e inconformismo para com o status quo.

Thisco para os próximos cinco anos? Qual é o vosso maior objectivo?

Certamente, se não nos faltarem as forças. Objectivos… Duplicar o número de edições, editar nome maiores da cultura alternativa mundial, divulgar mais projectos nacionais emergentes e consolidar os notáveis, como shhh…, Mikroben Krieg, Slow Soldier, Beeper, Samuel Jerónimo, In Tempus, Ghoak ou Flat Opak, e  manter o sistema de associados de forma crescente.

Se tivessem três desejos, o que pediam ao génio da lâmpada?

1 – Acabar com a pobreza no Mundo
2 – Acabar com a pobreza de espírito em Portugal
3 – Editar o Foetus.



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