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60 anos de Berlinale

Berlim. Uma cosmopolita e excitante capital, uma cidade de cultura e globalização. No centro das atenções: a Berlinale. Este não é apenas o maior evento da cidade, mas também uma das datas mais importantes na agenda da indústria cinematográfica. Em 2010 comemoram-se os 60 anos.

Entre os dias 11 e 21 de Fevereiro, 2010, a Internationale Filmfestspiele Berlin, ou Berlinale, será apresentada pela 60ª vez na História.

Este ano, Herzog será acompanhado no júri pela cineasta italiana Francesca Comencini, o escritor somali Nuruddin Farah, o produtor espanhol José Maria Morales, e as actrizes Cornélia Froboess, alemã, Yu Nan, chinesa, e Renée Zellweger, norte-americana.

Este ano, mais uma vez, a presença portuguesa estará ausente do evento, e apenas um alemão, Oskar Roehler, está na selecção oficial com “Jud Süss – Film ohne Gewissen”, sobre as rodagens do mais célebre de todos os filmes de propaganda nazi, “Jud Süss”, de Veit Harlan. Também a França estará apenas representada paradoxalmente por uma dupla vizinha, os belgas Benoît Delépine/Gustave de Kervern (Aaltra), autores de “Mammuth”, com Gérard Depardieu e Isabelle Adjani. Da América Latina contam-se a estreia da Argentina Natalia Smirnoff, com “Rompecabezas” e, mais uma vez, a presença brasileira, que irá levar a língua portuguesa aos grandes ecrãns. “Bróder!”, primeiro longa-metragem do paulista Jeferson De, filmada no Capão Redondo, bairro na extrema Zona Sul de São Paulo, a coprodução Brasil/Alemanha “Fucking Different São Paulo”, assinada por onze directores, “Besouro”, de João Daniel Tikhomiroff, sobre o maior capoeirista da história do país, “Os Famosos” e os “Duendes da Morte”, de Esmir Filho, exibido recentemente na Mostra SP 2009 e ainda a curta-metragem de Michael Wahrnann, “Avós”.

Por outro lado, a Ásia, a Escandinávia e a América do Norte estarão muito bem representadas.
A estrear o festival estará o filme chinês “Apart Together” (Tuan Yan), de Wang Quan’an, e a última película de 2010 será a japonesa “About Her Brother”, de Yoji Amada. De destacar estão ainda a “Ilha do Medo”, a nova longa-metragem de Martin Scorcese, e “The Ghost Writer”, o filme que Roman Polanski finalizou em prisão domiciliar.

Seis décadas de cinema

“O percurso da Berlinale foi muitas vezes marcado por turbulência política – a Guerra Fria, os protestos de 1968, e até a queda do Muro”, afirma Rainer Rother, director da Cinemateca Alemã, o Museu do Cinema e da Televisão. Mas apesar disso, o Festival de Berlim tornou-se, ao longo do tempo, num dos mais prestigiados eventos de cinema do mundo.

Fundado em 1951 por americanos que ocuparam parte de Berlim durante a Segunda Guerra Mundial, o objectivo inicial prendia-se com a necessidade de reavivar a cultura e o romance que teriam sido sinónimo da cidade durante os anos vinte.

Nos dias de hoje, a Berlinale cresceu para se tornar no maior evento cultural de Berlim, reunindo uma atenção sem paralelo, traduzida em cerca de 270 mil bilhetes vendidos por ano: a maior audiência registada para um festival de cinema. Com cerca de 19 mil profissionais da indústria cinematográfica de 136 países a marcarem a sua presença, bem como as cerca de 400 películas exibidas, o Festival de Berlim também se torna num fórum de discussão da indústria, ficando ao lado de Cannes e Veneza.

Embora a Berlinale seja mais conhecida pela sua promoção do mundo do cinema e pelo sangue novo, muitos foram os clássicos de Hollywood e os directores pop que encantaram o júri e arrecadaram o Urso Dourado. O Urso é o símbolo da cidade de Berlim.

Alguns dos premiados que ficaram na História da Berlinale foram Sidney Lumet, com “Twelve Angry Men”, em 1957, Ingmar Bergman, “Smultronstallet”, em 1958, Roman Polanski, “Cul-de-sac”, nos anos 60, Robert Altman, com “Buffalo Bill and the Indians”, nos anos 70, Jim Sheridan com “In The Name of the Father”, em ’89, Ang Lee com a película “Sense and Sensibility”, em 1996, “The People vs. Larry Flint”, de Milos Foreman, no ano seguinte, Terrence Malick com “The Thin Red Line”, em 1999 e, mais recentemente, em 2003, “In This World”, de Michael Winterbottom.

As obras exibidas têm lugar de destaque nos cinemas mais soberbos da cidade, incluindo o Arsenal, o CinemaxX e os CineStar. Entre as mais de 400 películas que são exibidas todos os anos, a vasta maioria representa estreias mundiais ou europeias. Filmes de todos os géneros, duração e formato são submetidos a consideração. A Berlinale é dividida em diferentes secções, cada uma com um perfil específico. Os grandes filmes internacionais figuram na Competition, os independentes no Panorama, as películas dirigidas ao público jovem figuram na secção Generation, as produções alemãs na Pespektive Deutsches Kino, um olhar profundo sobre s filmes de países distantes ou de formato experimental figuram na Forum e outras possibilidades cinematográficas em Berlinale Shorts.  O programa é construído em redor de uma retrospectiva temática e da Homage, que se foca no currículo de uma personalidade específica do mundo do cinema. Todas estas secções, que são curadas pelo Museu do Cinema de Berlim, pretendem inserir o cinema contemporâneo num contexto histórico.



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