“A Bibliotecária” | Logan Belle

“A Bibliotecária” | Logan Belle

A ingenuidade perdida em Nova Iorque

Quando em 2012 E.L. James, na altura uma perfeita desconhecida, logrou lançar “As Cinquenta Sombras de Grey” o romance erótico estava um pouco “esquecido” entre os editores mundiais. As aventuras apaixonadas e ao ritmo BDSM colocaram personagens como Anastasia Steele e Christian Grey no imaginário coletivo de quem procura, na literatura erótica, um misto de entretenimento e sedução.

Hoje, os livros que no erotismo centram as suas palavras tornaram-se mais vulgares, residindo na fuga a uma certa banalidade de género o segredo de um bom romance. Logan Belle – pseudónimo da norte-americana Jamie Brenner – é uma dessas vozes emergentes e, “A Bibliotecária” (Planeta, 2013), assume-se como um romance a ter em conta.

Ainda que a autora se tenha estreado nas lides literárias com a trilogia “Blue Angel” (que pode ser encontrada por cá mas escrita na língua mãe), apenas cerca de dois anos depois o mercado português resolveu acolher este livro que foi, entretanto, editado em mais de dez idiomas diferentes.

“A Bibliotecária” versa sobre a ida de Regina Finch para Nova Iorque depois de conseguir chegar ao seu emprego de sonho: trabalhar na Biblioteca Pública. Para trás ficaria uma educação clássica e recatada centrada na figura materna, uma castradora referência.

Nesta nova aventura, Regina partilha um apartamento com Carly e vê na sua companheira de residência a antítese da sua pessoa. Extrovertida e com a líbido em territórios nunca explorados pela jovem bibliotecária, Carly “ameaça” a pacatez de Regina que vê as noites interrompidas pelos desvarios sexuais da companheira.

Mas é no silêncio da biblioteca que a vida de Regina vai inesperadamente ganhar alento. Involuntariamente, a jovem estagiária descobre, por entre os corredores, a paixão na forma de um desvario tórrido que lhe desperta um misto de repúdio e desejo. Possuída por uma luxuriante curiosidade, Regina assiste ao quente encontro e sente o corpo a responder de forma nova e cativante.

Sebastian, um dos intervenientes desse encontro sexual, é um milionário e fotógrafo conhecido pelo seu gosto pela luxúria, levando Regina a entrar num jogo onde o prazer é o bem mais procurado e um fim em si mesmo. Ainda que sentindo um turbilhão de novas emoções e com a cabeça um pouco perdida, Regina encontra na vida da vintage pin-up Bettie Page o reflexo da sua personalidade, de alguém de se vê convertida num modelo fetichista depois de abandonar uma personalidade fechada sobre várias camadas de ingenuidade.

Convertida ao novo “eu”, Regina deixa-se levar numa alucinante e quente viagem onde o sexo vai ajudar a quebrar barreiras, assim como se transformará numa das mais valiosas ferramentas para seduzir o homem que ama.

Ainda que por vezes recorra aos inúmeros lugares comuns com os quais a literatura erótica se encontra espartilhada, Logan Belle consegue desenvolver uma narrativa bastante apelativa, que encontra saudáveis fronteiras de bom gosto evitando a sordidez em exagero. A leitura é bastante apelativa, simples e as páginas de “A Bibliotecária” são devoradas com a mesma paixão com que Regina veste a sua nova identidade.



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