A cor do céu

As marionetas descem ao Porto em Outubro.

As marionetas e os fantoches são possivelmente dois dos conceitos e lembranças que todas as pessoas retêm da infância e adolescência. A magia dos bonecos articulados, que parecem ter uma vida própria e até uma alma, encheu o imaginário de milhares de crianças (e não só), em espectáculos ricos em fantasia e divertimento, com uma enorme acção pedagógica, fazendo despertar em muitas crianças, e até adultos, o gosto pelo teatro e pela cultura de palco.

A história das marionetas passa pelos grandes pólos do desenvolvimento humano da história. Os gregos, egípcios e chineses exibiam-nas durante as procissões, no tempo dos teatros ambulantes onde os bonecos ressaltavam a idiotia das pessoas. Os japoneses, através do bunraku (teatro tradicional de marionetas), constituíam verdadeiros dramas cósmicos, familiares e individuais, dando uma enorme importância a estes bonecos de madeira que guiavam o povo, vivendo no circo das tradições e lendas comuns.

Alguns séculos depois, a marioneta passou do teatro para o museu e, com a evolução das tecnologias de informação, o interesse das pessoas começou a desaparecer, sendo necessário alertar e educar as pessoas para uma das artes mais importantes e metafóricas da humanidade. Um homem a manipular uma marioneta, utilizando para isso apenas alguns fios, pode ser a representação do ser humano, que ao longo do tempo foi alvo de uma manipulação por parte dos outros, numa sociedade que cada vez mais menospreza o individual em prol do social e colectivo.

No contexto em que vivemos, as marionetas fazem todo o sentido. A televisão, os computadores e todos os avanços digitais, embora fulcrais para o nosso desenvolvimento, criaram uma barreira para a arte mais tradicional, um entrave que é importante derrubar. O Teatro de Marionetas do Porto tem sido, desde 1988, uma das mais importantes instituições na divulgação desta importante forma teatral, não existindo na base dos subsídios e mantendo uma programação contínua e bastante diversificada, de forma a agradar miúdos e graúdos.

Embora as marionetas estejam automaticamente associadas a uma faixa etária mais baixa, a Companhia do Porto tenta mostrar que o teatro de marionetas é um espectáculo para todas as idades e segmentos culturais, como se pode comprovar com as obras que foram levadas a cena, como por exemplo, “Macbeth”, uma incursão ousada no mundo trágico de Shakespeare ou “Nada ou o Silêncio de Beckett”, o mergulho feliz no absurdo do dramaturgo irlandês contemporâneo.

Em Outubro, o Teatro de Marionetas do Porto vai ter em cena no Balleteatro Auditório (Praça 9 de Abril, 76), uma nova representação que tenta juntar várias faixas etárias em volta das marionetas. “A Cor do Céu” tem encenação de João Paulo Seara Cardoso, música de Jacques-Ives Montand e desenho de marionetas de Júlio Vanzeler e vai estar em cena desde dia 2 de Outubro até 7 de Novembro aos sábados (16h e 21h30) e domingos (16h).



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