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À descoberta de Berlim

Uma semana na cidade do Muro.

Berlim é hoje, muito provavelmente, a cidade mais efervescente do Velho Continente. A mais cosmopolita. A mais liberal. A mais divertida. A mais boémia. Não acredita? Compre uma viagem numa companhia aérea de baixo custo, e confira todas estas credenciais acima mencionadas.

Mais. Uma semana na cidade do Muro não é tempo demasiado. Todos fazemos viagens por várias metrópoles europeias e concordamos que quatro dias, bem espremidos, são suficientes. Em Berlim não. Fique por lá sete dias. Não se irá arrepender.

Pormenor interessante, e que convém ser já atirado para cima da mesa: não é uma cidade particularmente bela. Não espere por Roma, Paris, Londres ou (porque não?) Lisboa. Tem belas avenidas de grandes dimensões, o Reichstag (parlamento alemão), as Portas de Brandenburgo, a TV Tower, entre outros, mas, efectivamente, não é mesmo por aí.

No que diz respeito ao alojamento, a oferta gigantesca de hostels ou apartamentos no centro da cidade tornam os preços bastante agradáveis à bolsa do comum português. O melhor é ficar em zonas mais centrais. Mitte, Prenzlauer Berg ou Kreuzberg são óptimas opções. Estes distritos estão situados em território controlado, até 1989, pela antiga União Soviética. Não pense, ainda assim, que está numa área mais subdesenvolvida da cidade. Nada disso. Aqui estão os artistas de Berlim. Arquitectos, designers, jornalistas, fotógrafos, estilistas…e com eles, a vida cultural, nocturna, e a dinâmica de Berlim. A estes, juntam-se jovens oriundos de todas as partes do mundo. Jordânia, Austrália, Nova Zelândia, Portugal, Brasil, Espanha, França, Iraque, Holanda, Japão, China, Turquia e Índia são apenas algumas das nações que pode encontrar representadas na capital germânica.

E porquê, assim de repente, Berlim? O que aconteceu a Londres e Amesterdão? Nada em particular. Apesar de a língua ser um obstáculo, a vida nesta cidade é inacreditavelmente económica. Em alguns aspectos, bem mais barata que Lisboa, só para citar um exemplo mais próximo. As discotecas apresentam valores simbólicos à entrada, as bebidas alcoólicas são, igualmente, baratas. Comer na rua, sem ter de entrar num restaurante é uma excelente opção. Vai engordar, é certo, mas estamos sempre a tropeçar nestes estabelecimentos. Mais não seja por estarem abertos 24 horas por dia (outro pormenor interessante).
Se é apreciador de cultura urbana, está no local certo. Começando em lojas de artistas independentes, sapatarias com calçado em segunda mão, lojas que se transformam em bares, caves com música ao vivo, exposições… tudo isto acontece 24 sobre 24 horas.

Uma forma de conhecer bem a cidade passa pelo aluguer de uma bicicleta. Quase todas as ruas têm ciclovias, e como se trata de uma região plana a circulação fica facilitada. Não sendo Amesterdão, vai, ainda assim, observar imensa gente (de todas as idades), a utilizar este meio de transporte para chegar ao trabalho ou para ir às compras. No limite, para passear o bebé recém-nascido, mesmo com as baixas temperaturas do rigoroso Inverno alemão.

Sendo Berlim uma cidade com imensa história, nomeadamente, contemporânea, torna-se obrigatório perceber o que lá sucedeu no século XX. Quando estiver cansado de tanto passeio, boémia e cultura urbana, faça uma pausa e dedique-se à História. Começando pela II Guerra Mundial, pode dar um salto à Postdamer Platz e visitar a “Topografia do Terror”. Trata-se de um centro de documentação dos vários acontecimentos durante a Alemanha Nazi. Neste local, estavam situados os quartéis-generais da Gestato e da SS. Atrás da exposição fotográfica que documenta a ascensão do nacional-socialismo, está uma grande parcela do Muro de Berlim, onde pode, também, observar a barreira que dividiu a cidade durante os anos da Guerra Fria. Tendo este conflito como pano de fundo, é obrigatório visitar o CheckPoint Charlie, zona onde se passava da Alemanha de Leste (RDA) para a Alemanha Ocidental (RFA). Aqui, também existem várias imagens que ilustram o evoluir do Muro e alguns incidentes durante a ocupação soviética e americana.

Perto desta zona está um gigante pátio de blocos de cimento, erguido em memória às vítimas do Holocausto. Este monumento foi desenhado pelo arquitecto norte-americano Peter Eisenmann. Se quiser algo mais profundo, faça uma visita ao campo de concentração de Sachsenhausen, situado a aproximadamente 40 quilómetros de Berlim. O comboio é o meio de transporte a utilizar. Aqui, muito provavelmente, irá realizar o seu passeio cultural mais “pesado”, mas, ainda assim, bastante enriquecedor, apesar das várias atrocidades que ali aconteceram.

Após este “regresso à escola”, vai reparar que aprendeu mais do que nas aulas de História do Ensino Secundário. Passada esta fase, regresse a Berlim e volte à má vida. Fica o conselho.



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