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“A Escuridão Branca”, de David Grann

Os limites da superação.

Escrito como um thriller de leitura compulsiva, onde o suspense leva o leitor a lutar com o cenário inóspito das profundezas da Antártica como se estivesse na pele de Henry Worsley, “A Escuridão Branca”, de David Grann, com tradução de Vasco Teles de Menezes, é a mais recente entrada na coleção Terra Incognita é o nome da coleção de literatura de viagens da Quetzal. Mais do que livros de viagens com um formato especial, Terra Incognita reúne títulos e autores que desprezam a ideia de turismo e fazem da viagem um modo de conhecimento.

“… o triunfo dos vivos sobre a esfera hirta da morte”

Os pólos do nosso planeta foram sempre locais de grande mistério, onde as condições geográficas e climáticas desafiam o corpo e a mente do ser humano. A Antártica é o um dos continentes mais desafiantes e inexplorados do mundo (mais frio, seco e ventoso, com rajadas de até 320 quilómetros por hora) e cativa os exploradores a ultrapassar todas as dificuldades numa prova de resistência e superação que pode tornar-se um vicio e uma necessidade para alguns.

Foi esse o caso de Henry Worsley, aposentado oficial do exército britânico, que após expedições de sucesso acompanhado de um grupo de amigos exploradores, decidiu, aos 55 anos, chegar, sozinho e a pé ao Polo Sul. A sua épica história e a sua obsessão pelas tentativas realizadas no inicio do século pelo seu herói, Ernest Shackleton, são descritas por David Grann de uma forma simples, clara e fatual. Sempre acompanhado por fotografias que conseguem enquadrar os relatos de uma forma bastante envolvente, “A Escuridão Branca”, é um daqueles livros que é impossível de largar depois de começar a ler. Na realidade todos nós temos no nosso interior um fascinio pela superação e desconhecido. Mas será que o preço a pagar não é demasiado alto para alimentar essa obsessão?




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