Victoria-Fox

“A Fonte Silenciosa” de Victoria Fox

Amor, Obsessão e Tragédia

Não me deixes. Vem comigo. Estou à espera.
Eu apanho-te. Vamos ficar juntos de novo.
(…)
Vem comigo…
Estou à espera…

Este novo livro de Victoria Fox, A Fonte Silenciosa (Quinta Essência, 2018) é uma história repleta de contornos negros, revelações chocantes, e momentos surpreendentes, onde um passado assombroso, e uma fonte horripilante e, assustadoramente, silenciosa, ligam duas mulheres a Barbarossa.

A fonte fixa-me, parecendo vibrar com uma resposta.
(…) por um instante, aquilo que encontro não é um eco, mas algo verdadeiro e o eco sou eu, o Eu que vive já não está vivo, o mundo real e o replicado trocaram de posição (…) Mergulho mais fundo nessa impressão, hipnótica de tão estranha. (…) Sustenho o fôlego e, nesse mesmo instante, surge junto ao meu ombro a sugestão de um rosto, chocante, grotesco e selvagem, resplandecente e maligno, olhos loucos, selvagens e perversos…

Victoria Fox, utiliza uma linguagem sedutora, apelativa, num tom místico, com toques tenebrosos, criando uma história surpreendente, que capta a atenção do leitor desde a primeira página, deixando-o preso nas suas páginas, até mesmo quando não o está a ler, ansioso sempre por mais.

O desenvolvimento e, consequente, desenlace desta história decorre a um ritmo vertiginoso, frenético, e inebriante, provocando ansiedade e nervosismo, após cada reviravolta inesperada.

Toda a narrativa está preenchida por situações negras, segredos e surpresas.
Duas mulheres, aparentemente, tão distintas e, em parte, tão semelhantes, terão que enfrentar, corajosamente, o seu passado, de forma a enfrentarem o futuro.

Olho para o mapa. É ele. O Castillo Barbarossa. (…)

Existe uma fonte há muito seca, um vulto de pedra que se ergue da bacia que eu não consigo ver daqui. Sinto que já vi aquela fonte, se bem que isso seja impossível, claro. (…)

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Lucy Whittaker, sentindo-se sufocada pelo peso dos seus atos, e culpada pelas consequências que daí provieram, sente que não tem outra alternativa do que fugir de onde se encontra, e refugiar-se num lugar distante, em que ninguém a encontre ou reconheça.

É, então, que surge a oportunidade de trabalhar no Castillo Barbarossa, uma mansão isolada na Toscana, e o timing não podia ser melhor.

O Castillo Barbarossa é propriedade de Vivian Lockhart, uma antiga atriz de Hollywood, reclusa entre muros, também ela, atormentada pelos eventos do seu passado.

Lucy é recebida, friamente, por Adalina, governanta de Barbarossa, e braço direito de Vivian, e cedo começa a entender, que o que julgou ser um paraíso para se isolar, pode ser um local muito perigoso e arriscado para se viver.

As paredes do castillo parecem murmurar, provocadoras, atraindo-me para as suas sombras e os seus segredos. (…)
Recordo os barulhos que ouvi lá em cima, os sons de arrasto e a escuridão. Quando pressionei o olho aberto na fechadura, fui atingida pelo vazio. Nunca tinha pensado no vazio como sendo algo sólido, mas ali em cima…

A mansão esconde muitos segredos sombrios, vêm sons estranhos do sótão, sombras surgem e desaparecem num flash, existe um elemento, extremamente, perturbador, naquela fonte silenciosa que nunca seca, adornada com aquele peixe de pedra grotesco, que nunca jorra água.

Lucy, impelida pela curiosidade, propõe-se a tarefa de decifrar os mistérios e desgraças do castillo; para tal, conta com a ajuda de um charmoso estranho, Maximo Conti, que por motivos pessoais, resolve ajudá-la.

Mas a verdade não é o que aparenta ser, existem detalhes que não encaixam completamente, e só uma pessoa poderá completar este complexo puzzle, que, outrora, conduziu à tragédia em Barbarossa.

Poderão os dois cúmplices resolver tudo antes que o passado os alcance, ou irá esse passado, ajudar a compreender o presente, e conferir-lhes a liberdade merecida para poderem desfrutar do futuro?

A Fonte Silenciosa, de Victoria Fox, é uma história repleta de amor, dor e sofrimento, onde obsessões geram tragédias, e os fantasmas do passado ameaçam o futuro.

(…) Aconteceu alguma coisa naquela casa. Sinto isso nas paredes, nas sombras e no escuro. No sigilo de Adalina e na loucura de Salvatore. Na voz atrás da porta, nos barulhos do sótão, no frio e no silêncio…
Alguma coisa aconteceu.



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