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Fuga

Uma peça de enganos, onde nada é o que parece.

A premissa da peça remete-nos para a vida cinzenta de um ministro representado por José Pedro Gomes, que se demite devido a um caso de corrupção que se vê envolvido com o jornalista que divulga o caso. A partir desse momento embarca numa viagem pelos mundos do romance ao apaixonar-se por Maria Rueff que representa a mulher lutadora, alegre e com o olhar virado para o futuro.

Com esta viagem surgem uma série de obstáculos, que são interpretados por Jorge Mourato na pele do marido violento, por João Maria Pinto com o papel do pai paralítico e amiga prostituta interpretado por Sónia Aragão. Mas numa peça de enganos, nem todos os intervenientes são realmente como se apresentam inicialmente.

Da mulher lutadora, do marido violento, do pai paralítico, da amiga prostituta e do ministro apanhado na teia da corrupção, todos assumem outros caminhos a meio da peça, quem são realmente?

É o desafio que propomos: assistir a esta comédia hilariante e discutir sobre os vários papéis que simbolicamente assumimos na vida.

O Encenador

Na perspectiva de Fernando Gomes, trabalhar pela segunda vez com a presente equipa é “estimulante e desafiante”. A primeira vez foi na peça “Apanhados na Rede” (2010). Após uma primeira tentativa à 20 anos, que nunca chegou a ocorrer devido ao exame no conservatório de Maria Rueff, conseguiram voltar a trabalhar juntos em “Fuga” .

O seu trabalho enquanto encenador permite “conhecer diferentes actores e divertir-se”, acabando por viajar por todo o país, encenando “diferentes companhias de teatro”, valorizando o seu trabalho com os “amigos de longa data” (relembrando António Feio).

Devido às semelhanças entre as duas culturas, a adaptação da peça castelhana – “Fuga” –  à realidade portuguesa não foi dificil. As personagens estereotipadas como o ministro, a prostituta e a vendedora que muito luta na vida para chegar a algum lado existem dos dois lados da fronteira.

Na sua opinião apesar de todos os anúncios da crise é “importante o português rir-se, desligar-se durante hora e meia e entrar nos espectáculos que o divertem como são as comédias”. A sua preocupação com o país reforçam a sua atitude. Considerando-se um privilegiado por ser alguém que faz o que gosta, advoga o riso como forma a compreender a realidade que está a nossa volta.

O musical “Todos a Bordo” será o seu próximo projecto, com estreia marcada para Dezembro na Malaposta.

Maria Rueff & José Pedro Gomes

Expressões como “furtar” e “apropriar-se” iam voando da boca de cada um, abordando a corrupção do sr. ex-ministro. Ambos concordam que a amizade é o  motor para o sucesso de um trabalho teatral. Com a boa disposição que lhes é caracteristica, descreveram a comédia como “arte do ridículo”, onde a exposição do actor é maior, sendo importante manter a “espontaneidade das crianças”, nas palavras de Maria Rueff.

Na opinião de ambos, a cumplicidade entre os dois permite um à vontade especial. Apesar de toda a instabilidade que o mundo do espectáculo vive, vão aproveitando todas as oportunidades que surgem e continuam a ter um enorme prazer em representar e pisar o palco.

Na direcção da viagem que fazíamos juntos, o tema de conversa passou pela participação em trabalhos televisivos como o “Estado da Graça”, que, mesmo num registo distinto e criado num pequeno estúdio, mantém o espirito que caracteriza o Teatro e essa sensação é transmitida ao público.

Em “A Fuga”, Maria Rueff representa uma pequena vilã, que apesar de ser uma comédia acaba por assumir o lado “parvalhão armada em sensual”, enquanto José Pedro Gomes disse-nos que, para vestir a pele de um ministro, se baseou em “um pouco de todos, e em nenhum em especial”.

“No pais da pobreza vai-nos sobrando o Samba!”

 

“A Fuga” estreou dia 26 de Outubro no Tivoli, sobre a direcção de Fernando Gomes e com as interpretações de Maria Rueff, José Pedro Gomes, Jorge Mourato, João Maria Pinto e Sónia Aragão.



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