“A Grande Vaga de Frio com Orlando de Virginia Woolf”
Os pontos por debaixo do carvalho.
Depois de uma primeira e bem-sucedida temporada nas cidades de Lisboa e Porto, tivemos o privilégio de assistir a esta reposição, de uma mulher e um homem ao mesmo tempo, no mesmo corpo, num só palco.
Foi no Teatro Carlos Alberto, que observamos esta metamorfose e ambiguidade que circundam Orlando, este libertino de Virginia Woolf.
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Como refere a dramaturga Luísa Costa Gomes, trata-se de “transformar uma narrativa que condensa e parodia trezentos anos de literatura num monólogo dramático”.
E isto acontece, também muito graças à excelente performance de Emília Silvestre, que evoca todos “os fantasmas dos seus outros eus e das suas outras vidas” nesta interpretação de Narradora/Orlando e muitos mais personagens nesta geometria amorosa.
Todo o desenho de luz e efeitos sonoros contribuem, exatamente, para recebermos essa corrente gelada do século XIX, com a demonstra de relações soldadas, onde um espécimen procura viver sem narrativa.
Num cenário muito térreo, o público sente a brevidade do dia, completamente imerso nele e na voz que nos guia e que durante uma hora de espetáculo é tudo para nós!
Ficha Artística
Tradução: Ana Luísa Faria (ed. Relógio DÁgua)
Dramaturgia: Luísa Costa Gomes
Conceção e direção: Carlos Pimenta
Música: Ricardo Pinto (viola da gamba Xurxo Varela)
Figurinos: Bernardo Monteiro
Desenho de luz: Rui Monteiro
Vídeo: João Pedro Fonseca
Espaço cénico: Carlos Pimenta, João Pedro Fonseca
Assistência de produção: Génesis Abigail
Interpretação: Emília Silvestre
Fotos: TNSJ
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