“A Herdade” | Jane Smiley

“A Herdade” | Jane Smiley

Segredos e mentiras

Transpor o classicismo Shakespeariano para a era moderna e virá-lo completamente do avesso, de modo a que o ar de tragédia antiga se olhasse ao espelho alguns séculos depois, não se afigurava fácil. Contudo, Jane Smiley não se deixou intimidar por esta tarefa de dimensão hercúlea e, partindo do épico “Rei Lear”, escreveu “A Herdade”, livro que lhe valeu o Prémio Pulitzer em 2012.

A história é-nos contada por Grace, a mais velha de duas irmãs, que vivem com o pai numa herdade em Zebulon County, Iowa. Larry (o pai) é o agricultor mais respeitado da região, a quem todos recorrem para pedir conselho, e que possui a maior herdade das redondezas. Quando, num ímpeto súbito, decide desfazer-se da herdade, oferecendo-a em parcelas às suas filhas e genros, todo o dia-a-dia familiar se vê alterado, como se o nascer do sol, sempre límpido e claro, desse agora origem a um céu negro e tenebroso, como uma nuvem negra que paira sobre a cabeça de cada personagem. É tempo de os fantasmas saírem da penumbra rumo a uma dolorosa iluminação.

Estamos perante uma saga familiar escrita em letras douradas onde, ao desmembramento das relações familiares e da incapacidade dos afectos, se junta a impotência em lidar com a gestão de terras. Escrito em seis actos, “A Herdade” recupera e amplia a dimensão trágica descrita por Shakespeare, permitindo-nos reconhecer algo que nos vai acompanhando ao longo da vida: os segredos, as mentiras e os dramas familiares. Soberbo.

Uma edição Civilização Editora



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