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“A Íntima Farsa”

JP Simões regressa ao teatro, desta vez com um musical trágico-cómico, onde explora uma luta de egos, frustrações e neuroses. O nosso dia-a-dia, portanto

João é um escritor bem sucedido, mas vive uma crise de meia-idade. João é casado, mas vive em pleno desacordo com Luísa, ou Mafalda, ou Carla, qualquer que seja o nome da sua esposa. João tem uma peça para terminar de escrever, mas não consegue. A sua mãe acaba de falecer e João nunca chegou a conhecer o seu pai, “um filho da puta de um bruta-montes”, quem sabe.

“A Íntima Farsa”, leva-nos a conhecer as sessões de terapia de João – embora talvez preferisse gastar esse dinheiro com uma mulher-a-dias -, Joana, a amiga e protagonista da peça de João, que vive na sombra da medicação que toma por se tornar constantemente nas personagens que interpreta, Manuel, o marido de Joana, um radiologista viciado em morfina, que parece conseguir conter as suas neuroses com maior sucesso, ainda que saibamos que não o faz sozinho. E Carla, ou Mafalda, a mulher de João – as várias mulheres de João – viciada em compras, vestidos e sapatos altos, esforçada por manter uma relação que não é saudável, uma persona que tenta demasiado manter a normalidade e acaba sempre por falhar.

Se todas as personagens têm o seu quê de neurótico, psicótico e peculiar, também todas elas acabam por servir de terapeutas umas das outras. Entre desabafos, vinho, champanhe e cigarros, a vida vai andando e continuando, uns dias melhores, outros piores. Sentimo-nos em casa; afinal não somos todos assim? “Se dizem que tudo está predestinado, então mais vale estar embriagado, pois é o que tinha que ser.” Cantam alegremente os quatro amigos.

Com isto tudo, até parece estranho como saímos do teatro com um sorriso na cara, mas afinal de contas quem não gosta de uma boa dose de neurose, de compulsões masoquistas e de personagens com fragilidades iguais a cada um de nós? Todos acabamos por ser pequenos Hamlets com complexo de Édipo e é bom ver que alguém nos compreende.

Encenada por Victor Hugo Pontes, escrita e interpretada pelo próprio JP Simões, “A Íntima Farsa” são duas horas numa sala de um psicanalista cómico, bem-humorada e com um quê de sadismo. “A Íntima Farsa” esteve em cena entre 27 e 30 de Junho no São Luiz, em Lisboa.



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