“A invenção do amor” | José Ovejero

“A invenção do amor” | José Ovejero

Se não existisse tinha de ser inventado

Depois de em 2012 ter ido parar às mãos de Leopoldo Brizuela – com “Numa mesma noite” -, o Prémio Alfaguara de romance foi, no ano passado, atribuído a José Ovejero com “A invenção do amor”, um livro que, segundo o presidente do Júri Manuel Rivas, «revela a força transformadora da imaginação e a sua capacidade para construir novas existências.»

Samuel é um tipo avesso a grandes compromissos, que do seu terraço vai observando a agitação da vida madrilena. Passou a fasquia dos quarenta sem criar descendência, e todas as mulheres entram e saem da sua vida sem deixar grande rasto ou proferir qualquer frase que leve a um possível compromisso.

Uma madrugada, depois de uma festa com amigos em que por azar não acabou com ninguém a partilhar momentaneamente o leito, Samuel recebe uma chamada telefónica a comunicar-lhe que Clara, a sua ex-namorada, morreu num acidente de automóvel. O problema é que Samuel não conhece nenhuma Clara, mas sente-se incapaz de explicar tal facto ao telefone.

Movido pela curiosidade decide comparecer no velório, sempre em sobressalto e com medo de a fraude ser descoberta. Porém, o fascínio pela troca de identidade com outra pessoa toma conta de si, levando-o a ficcionar uma história de amor com Clara ao mesmo tempo que vai partilhando com Carina, a irmã desta, um passado em comum. Mas até quando conseguirá manter o jogo na sombra, e até que ponto este o transformará enquanto pessoa?

Misto de thriller e romance introspectivo, “A invenção do amor” revela-nos a impostura da vida sentimental, bem como a impossibilidade – ou pelo menos a tristeza – de passar sem ela. É que o amor, se não existisse, teria mesmo de ser inventado.



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