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a Jigsaw @ CCB (30.11.2012)

Coimbra conquistou Lisboa com o seu talento!

A celebração de treze anos de carreira tem de ser um feito único e especial. Para isso, os a Jigsaw não têm parado e têm conquistado o País em digressão contínua. Desta vez, atracaram o seu barco pirata no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) para um concerto bastante especial que contou com a participação de vários amigos da banda.

Em jeito de diário de bordo, aqui vai: 30 de Novembro de 2012, o frio aloja-se por todo o corpo mas, mesmo assim, não serviu de desculpa para todos aqueles que se deslocaram ao CCB para receber os a Jigsaw e os seus amigos. Ao longo do caminho a beira-rio, ouve-se o mesmo rio que assistiu a histórias de conquistas e que acolheu navegadores e, também, piratas. Os a Jigsaw conhecem alguns piratas e até imortalizam imperadores (ou conquistadores dependendo da opinião de cada um). Mas os próprios músicos não deixam de ser piratas… basta ver que criatividade não lhes falta e que lutam para dar a conhecer, sob variadas formas, o seu trabalho. A anteceder a entrada em palco, ouve-se em modo ambiente sonoridades folk, blues, e as mesmas influências que encontramos no disco “Like The Wolf” e no mais recente “Drunken Sailors & Happy Pirates”.

O relógio marcava as 21 horas. As luzes da sala foram diminuindo a intensidade até ficar tudo na penumbra e apenas o palco ficou iluminado. Coube aos Birds Are Indie, grupo também oriundo de Coimbra, a tarefa de inaugurar o palco. Para quem ainda não os conhece, e em modo muito resumido, os Birds Are Indie são a Joana e o Jerónimo que são namorados há muitos anos e são amigos do Henrique ao mesmo número de anos. Assim se vive uma história de amor e amizade transportada para dois EP’s, um LP e em pequenas digressões. Rodeados por um xilofone, uma guitarra, um piano, mais teclado e outros pequenos instrumentos, os Birds Are Indie encheram de amor o pequeno auditório. Entre «Needless To Say», «Instead Of Watching Telly», «Yellow Leaf» em versão rock e «We’re Not Coming Down» sem qualquer amplificação e com um Ukelele, este trio de adoráveis pessoas conseguiram pôr toda a plateia a sorrir e deixaram os corações mais quentinhos e vivos de paixão.

Foram anunciados pela revista francesa Les Inrockuptible como uma das bandas a seguir ao longo de 2012 e têm merecido o destaque por outras tantas revistas da especialidade. Os a Jigsaw são talentosos e merecem todo o respeito. Entre um banjo, guitarras, violino, pandeireta, teclados e outros instrumentos, João Rui, Susana Ribeiro e Jorri, transformaram a sala num autêntico imaginário pirata e cheio de ícones históricos. A eles juntou-se Guilherme Pimenta na bateria. As canções dos a Jigsaw quase que podem rivalizar com qualquer epopeia e transmitem a sua identidade própria. Abriram as hostilidades com «My Name is Drake», seguindo com o single «I’ve Been Away For So Long» lançado em formato cassete e «Even You» evocando o imperador Júlio Cesar. Eis que é o momento de desfile e partilha de palco com vários amigos do grupo. Ouvem-se os acordes de «Dried up, River Blues», original dos Corsage que contou com a presença de Henrique Amoroso na voz e Pedro Temporão no baixo.

A encantadora Tracy Vandal dos extintos Tiguana Bibles emprestou a sua voz ao fantástico «Lovely Vessel» e seguiu-se «Red Pony» inspirado num livro do norte-americano John Steinbeck e que contou com a presença do contrabaixista Gito Lima dos The Soaked Lamb. «Rooftrop Joe», canção escrita a pensar na personagem tipicamente portuguesa “Zé do Telhado”, contou com a presença de Augusto Cardoso. O espectáculo ainda estava a meio e o desfile de estrelas não tinha ficado por ali. A voz mágica de Nicole Eitner, sentada ao piano, encantou a plateia e, logo de seguida, Mariana Lima, também dos The Soaked Lamb, deu voz a «One Right Lie» cuja versão original foi gravada pela voz de Ruby Ann.

“Como a música não podia falar de pombas brancas, mudámos a cor da natureza para corvos” contou João Rui sobre a origem de «Crow Covered Tree», cuja inspiração teve lugar numa viagem pela circular externa de Coimbra. De Portugal para Itália, e inspirada em Nero, o imperador romano que ordenou o incêndio à cidade, «The Last Waltz» fez-se ouvir e, para terminar, nada melhor do que «The Strangest Friend» com todos os convidados em palco para cantarem o refrão.

Não faltou a chuva de aplausos que fizeram com os anfitriões da noite regressassem novamente para um encore. Sobe ao palco novamente Tracy Vandal para interpretar «The Lost Words» e junta-se o ex-membro da banda David Cardoso para encerrar o espectáculo com «Devil On My Trail» e «Crashing Into The Harbour».

Foi uma noite muito bem passada, repleta de histórias e onde se respirou e se celebrou a verdadeira amizade.



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