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“Drunken Sailors & Happy Pirates” e a sua apresentação no Musicbox, em Lisboa, no próximo dia 10 de Novembro, é o mote para (re)descoberta da banda conimbricense.

Willie Dixon foi um músico de blues norte-americano e, ao longo da sua prolífica vida como artista, deixou-nos muita coisa boa. Uma dessas coisas foi uma frase que é utilizada por muita gente quando, por um qualquer acaso, se vê na necessidade de definir os blues numa única frase ou de mostrar rápida e eficazmente o quanto significa para si. Essa frase é também referida pelos a Jigsaw e encaixa na perfeição na música que João Rui, Susana Ribeiro e Jorri nos oferecem. Numa altura em que se preparam para lançar um novo álbum, que será apresentado em Lisboa no Musicbox a 10 de Novembro, na próxima edição das “Noites da Rua”, a terceira, aproveitámos para conversar com a banda sobre isto e muito mais.

Ah… a frase é a seguinte: “The Blues are the roots, everything else is the fruits”.

A frase dá o mote. Há entrevistas em que, uma vez obtidas as respostas, se opta por construir um texto em que estas funcionam como um reforço, uma corroboração do que é escrito. Noutros casos isso não faz sentido, sob pena de se perder muito daquilo que foi dito. Este é um desses casos.

Desde a vossa estreia, já muito aconteceu aos a Jigsaw, mas se houve uma constante ao longo deste percurso foi o folk com uma forte raiz norte-americana. Podem falar um pouco desse percurso e até onde vos trouxe hoje? O que sentem que mudou ao longo destes anos?

A raíz norte-americana talvez tenha sido a mais visível até agora, porque desde o “Letters From The Boatman” tentámos aproximarmo-nos das raízes da música dita popular. E isso leva-nos inevitavelmente para o campo dos Blues e do Folk enquanto nobre descendente. Terá sido uma forma nossa de descobrir que fundações queríamos para alicerçar a nossa música. Mas nunca nos quisemos cingir apenas ao folk ou ao Blues porque assim estaríamos a manietar a nossa criatividade e originalidade.

No “Like The Wolf” continuámos a amadurecer o nosso som e também começámos a gravar a totalidade dos instrumentos, o que nos obrigou a aprender as técnicas específicas de cada um que até aí nos eram desconhecidas, o que nos levou a crescer como músicos e que marca a grande diferença do “Letters From The Boatman” onde tivemos cerca de 16 convidados porque nos faltava o know-how. Depois começámos a tocar fora de portas na “Like The Wolf European Tour” e passámos de uma realidade onde tínhamos meia centena de concertos num ano para o triplo disso e para audiências tão variadas como as suas sensibilidades. E todas essas experiências mudaram-nos o suficiente para gravar este novo álbum, “Drunken Sailors & Happy Pirates”, que sendo o álbum com o som que queríamos alcançar há talvez mais de dez anos, seria para nós um álbum impossível de gravarmos há dois ou três. Provavelmente as pessoas vão perceber isso quando ouvirem o novo single «The Strangest Friend» e compreender, não o que mudou, mas o que tem vindo a mudar, a crescer, a evoluir e que não vai parar por aqui.

a Jigsaw – The Strangest Friend [Cd-Single] by aJigsaw

Como foi o processo criativo de “Drunken Sailors & Happy Pirates”?

No final da “European Tour”,  reunimos todo o material que tínhamos acumulado nos últimos tempos. Sabíamos que era muito, mas quando constatámos que tínhamos 8 horas de gravações, entre esquissos, ideias e temas quase completos, ficámos sem dúvida surpreendidos! O primeiro passo foi fazer uma selecção das ideias e dos temas que queríamos, de facto, desenvolver e que se enquadravam de forma mais coerente no conceito do álbum. Este conceito já estava definido desde o “Like the Wolf”, por isso não foi difícil encontrar o fio condutor das canções.

Juntámo-nos então no nosso local de ensaios, a que chamamos Casa Azul, e fizemos a pré-produção do álbum. Quando entrámos em estúdio, em Portalegre, com o nosso produtor, João P. Miranda, os temas já estavam muito bem definidos, mas também é verdade que muitas ideias e soluções nasceram nessa etapa da gravação em estúdio.

Já agora, qual a história por detrás do título do álbum?

Desde o “Letters From The Boatman” que encontrámos na ideia de álbum conceptual a melhor maneira de nos expressarmos. Não sentimos os nossos álbuns como conjuntos de canções soltas, mas sim como conjuntos de canções unidas por uma ideia comum, como capítulos de um mesmo livro. Agrada-nos essa ideia e agrada-nos o processo de composição que a acompanha. Além disso, tudo o que envolve os álbuns, das fotos ao design das capas e dos cartazes, ganha uma nova dimensão, aos nossos olhos muito mais coerente e aliciante.

O “Drunken Sailors & Happy Pirates” é um álbum que nos conta da construção do indivíduo; a construção da nossa identidade através de quem antes de nós partiu para alto-mar à conquista da sua própria identidade. Os Drunken Sailors & Happy Pirates são todos aqueles que, de alguma forma, no nosso percurso de vida, nos influenciaram quase que imperceptivelmente ou que foram as nossas referências assumidas, todos os que encontraram em nós o seu albergue e que, por isso, são pilares do que somos hoje. Somos também nós, que avançamos para um mar desconhecido, vivendo a história de outros através da nossa.

Ao escutar os temas novos que têm para escuta, parece notória uma mudança no vosso som, mais maduro, mais encorpado, mais trabalhado, um crescimento quando comparado com os vossos trabalhos anteriores. Foi algo deliberado ou surgiu naturalmente?

Foi surgindo naturalmente, sem dúvida. Aos nossos olhos essa mudança foi lenta e por vezes quase imperceptível, como o corpo de uma criança em crescimento, mas é natural que para quem está de fora essas mudanças sejam muito mais evidentes. Passaram alguns anos desde o nosso primeiro registo e nós fomos mudando, como a vida que foi passando por nós. A voz do João Rui, por exemplo, também foi mudando, ficando mais grave, é tudo bastante natural.

O que pode explicar algumas mudanças é a nossa curiosidade em experimentar novos instrumentos. Ao longo dos últimos anos, fomos comprando instrumentos e integrando-os no processo de composição. Não sentimos qualquer complexo de ser autodidactas e de poder ter limitações técnicas, pois estamos sempre muito receptivos a novas sonoridades, a novas soluções. Assim, alguns desses instrumentos foram encontrando a sua voz, a sua identidade, nas novas canções, é o caso do piano e dos teclados que assumem protagonismo neste álbum quando no “Like the Wolf” surgiam apenas em pormenores e do violoncelo que é um dos instrumentos novos neste novo álbum. Todas essas vozes se juntaram à festa e é natural que ajudem a esculpir canções diferentes.

São originários de Coimbra, uma cidade que já viu nascer algumas das melhores bandas que temos em Portugal, um país que parece que só mais recentemente começou a demonstrar uma maior abertura ao que é feito por cá. São desta opinião?

É verdade que Coimbra tem sido um inesperado epicentro musical, mas em relação à maior abertura ao que é feito em Portugal, talvez seja maior em relação ao que é feito em Português e não à música de uma forma geral. Será necessário cada vez mais que as bandas olhem para além-fronteiras com coragem e determinação para não se cingirem apenas ao território nacional. Nesse aspecto ainda estamos atrasados umas boas décadas em relação a países da Europa central.

A edição de “Like the Wolf – Uncut” permitiu-vos mostrar o vosso trabalho pelos mais variados países europeus e viram inclusivamente o vosso trabalho reconhecido em concursos também além-fronteiras. Estes acontecimentos reflectiram-se de alguma forma na maneira como abordam e definem os vossos objectivos como banda?

Claro que se reflectiram, mas é importante referir que estes acontecimentos são também consequência dos nossos objectivos como banda. Actualmente estamos a trabalhar com a GrocDog e a Tsunami, em Espanha, mas num primeiro momento fomos nós que fizemos todos os contactos e que marcámos os concertos fora de Portugal, norteados por uma vontade já antiga de levar a nossa música para fora. Queremos com isto dizer que não ficámos na nossa garagem a sonhar com uma tour na Europa num hipotético cenário de um futuro longínquo, trabalhámos para fazer com que os nossos sonhos acontecessem. Mas claro que uma tour de quase dois meses e meio por doze países não passaria por nós sem deixar marca. Fomos muito bem recebidos em todos os países, conhecemos públicos, salas diferentes e concluímos que a nossa música se integra numa linguagem com a qual se identificam muitas pessoas. Essa sintonia de sensibilidades, essa possibilidade de comunicação pela música, deu-nos ainda mais confiança para continuar a trabalhar no sentido de levar a nossa música a mais países e públicos.

Está prevista a edição internacional de “Drunken Sailors & Happy Pirates”? E digressão (para além das datas já anunciadas para Madrid e Barcelona)?

Para já, o “Drunken Sailors & Happy Pirates” vai ter edição simultânea em Portugal e Espanha, este é o nosso ponto de partida. Assim, as próximas datas incluem a Península Ibérica, mas em 2012 estaremos certamente para lá dos Pirinéus. Vamos actualizando a nossa agenda no MySpace, para quem estiver curioso ou interessado.

Vão ter oportunidade de apresentar o vosso álbum, no próximo dia 10 de Novembro no Musicbox, na terceira edição das “Noites da Rua”. O que podemos esperar dos a Jigsaw em palco?

Podem esperar três músicos e muitos instrumentos. Fazemos nossas as palavras do Luís Quintais  “(…) as mais antigas baladas deveriam voltar para incendiar os nossos dias e as nossas noites, outra vez. Mostrar-nos como há coisas que não se demonstram ou explicam. Dão-se.”

Dia 10 de Novembro é o dia e o certame prossegue com os The Horn The Hunt. Tratem de estar presentes. Os primeiros 50 a chegarem ao Musicbox recebem o single de “Drunken Sailors & Happy Pirates”, com quatro músicas da banda.

Os bilhetes para os dois concertos custam 8€, com direito a uma bebida, e estão à venda na Blueticket. Para o clubbing, o valor é de 6€, com direito a uma bebida.

As “Noites da Rua” contam com o apoio da Lacoste L!VE.



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