“A Menina de Vermelho” | Roberto Innocenti e Aaron Frisch

“A Menina de Vermelho” | Roberto Innocenti e Aaron Frisch

Ver a Capuchinho aos quadradinhos

Na elaboração de uma lista de histórias que têm resistido ao tempo e ao gosto ao longo das gerações, mesmo que tendo feito mais plásticas do que a Lili Caneças fez e ainda fará, uma delas será sem dúvida “A Capuchinho Vermelho”.

Se na história inicial se conta que tanto a criança como a sua avó foram desta para melhor, há versões em que ambas as personagens femininas são salvas, seja pelo aparecimento do caçador (que mata o lobo ao tiro ou abrindo-lhe a barriga) ou pelo capuz de ouro que a menina usava, e que tinha um respeitável poder incendiário. Há, porém, um elemento que se terá mantido sempre igual, independentemente dos sentidos que cada um confere à história: a floresta como o lugar onde se escondem todos os perigos.

Em 2012, Roberto Innocenti (ilustrações) e Aaron Frisch (texto) decidiram transpôr a fábula popular para a era moderna, trocando a floresta natural pela vegetação artificial de uma cidade que vive de forma celebrativa a era da comunicação.

“A Menina de Vermelho” | Roberto Innocenti e Aaron Frisch

A Menina de Vermelho” (Kalandraka, 2013) conta-nos a acidentada viagem de Sofia até à casa da sua solitária avó, levando na mochila bolachas, laranjas e mel. A mãe aconselha-a a seguir sempre a via principal mas, depois de uma passagem pelo “Bosque” – nome dado a um imenso centro comercial – e de sentir os muitos estímulos e sussurros celebrados pela sociedade de consumo, desorienta-se e vai dar a uma parte da floresta que não conhece e onde estão escondidos os perigosos chacais. Salva por um homem sorridente, conta-lhe sobre o seu destino geográfico, acompanhando-o numa viagem de moto que a deixa mais perto de casa da sua avó. Quando chega, a avó não está à porta à sua espera. Como de costume.

“A Menina de Vermelho” destaca-se, sobretudo, pelo bom ar de novela gráfica: os desenhos, uma ode ao pormenor e ao detalhe do quotidiano urbano,  surgem fragmentados, como vinhetas, acompanhados por rectângulos onde se escrevem as legendas, linhas telegráficas que mudam de cor como que antevendo o perigo. O final, esse, permanece em aberto, cabendo ao leitor decidir sobre o destino das personagens, fazendo uso do poder mágico que só os contos conferem.



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