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A minha Maladresse é uma forma de Délicatesse

Haverá vida depois do trabalho? Sim.

“Quem é Ana Jotta?” é a pergunta que “A minha Maladresse é uma forma de Délicatesse” pretende responder. Apesar da sua longa e produtiva carreira artística, Ana Jotta continua a ser um nome desconhecido do público, razão pela qual Salomé Lamas e Francisco Moreira decidiram acompanhar a artista durante um ano, recolhendo fragmentos da sua vida pessoal e profissional.

O resultado é um retrato caleidoscópio do quotidiano de uma artista firmemente convicta de que o é. Se captar a essência de uma pessoa “comum” em 70 minutos é uma tarefa complicada, então oferecer aos espectadores um retrato da vida de Ana Jotta em todas as suas dimensões – profissional, pessoal, social, íntima… – roça a impossibilidade.

É possível que tenha sido este o motivo que empurrou estes dois jovens realizadores portugueses a fugir de um formato mais linear, cronologicamente ordenado, seguindo sequências lógicas e a adoptar um relato mais disperso, etéreo, às vezes confuso e imprevisível, mas nunca deixando o espectador perder o fio à meada: possivelmente, uma aproximação cinematográfica às características  da obra de Ana Jotta.

Vemos assim cenas quotidianas da vida da artista, intercaladas com comentários de amigos, colegas, críticos e até da que deduzimos ser a empregada de limpeza, todos eles parte integrante do universo criativo de Jotta. Através dos depoimentos destas pessoas, da visita aos espaços em que a artista se move (o seu atelier, a sua casa, o seu “refúgio” no Brasil), da leitura das críticas ao seu trabalho, da observação do seu método de criação e relação com as suas obras, o espectador começa – aos poucos – a montar o complexo puzzle humano que é Ana Jotta.

O facto de que Ana, ainda que já esteja na casa dos 60, continue a ser uma pessoa acessível e risonha, ainda que controversa e complexa, faz com que esta viagem cinematográfica à descoberta da sua pessoa seja uma experiência igualmente divertida e informativa. Para quem conhece a sua obra é uma excelente oportunidade de saber mais sobre a pessoa por trás dos quadros, para quem não conhece – que era o caso do autor deste texto – é uma importante chamada de atenção para um dos segredos mais bem guardados do panorama artístico português.

Nota: Este filme foi apresentado pela primeira vez no DocLisboa



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