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“A Morte de Danton”

Uma super produção encenada por Jorge Silva Melo e com Miguel Borges no papel principal. Até 22 de Abril no Teatro Nacional D. Maria II.

Estreou no dia 2 de Março no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, “A Morte de Danton”, escrita por Georg Büchner (quando tinha apenas 22 anos) e encenada por Jorge Silva Melo. Esta peça inspira-se na Revolução Francesa e questiona se a procura da virtude não é melhor que o prazer… Há um corredor da morte aqui, que não é simples, mesmo quando este é aceite. A morte digna é elogiada e Danton luta até ao último momento para ter uma. “Amo-te como amo a sepultura!” é uma das frases marcantes desta peça fria, sangrenta, de um “negro pessimismo.”

É esmagador para o público ver os momentos em que palco fica cheio de actores e que depois se contrastam com os momentos em que há duetos de paixão, quase sem se dar pela mudança. Com um cenário quase fixo, de mesas e cadeiras, mas que no final surpreende, sente-se que há uma composição perfeita entre os actores e o cenário. Miguel Borges é de facto o actor certo para o papel de Danton, que delícia com a sua ternura, como transborda de uma energia monstruosa e que é de facto o que a personagem exige.

O encenador afirma com emoção que “nunca tinha pensado fazer esta peça – nunca pensei ter o dinheiro suficiente para dirigir 44 actores em cena”. Com a possibilidade de fazer uma grande produção, escolheu esta. Jorge Silva Melo afirma que há frases cortadas e que adaptou mas não cortou cenas.

“Se o Miguel Borges não quisesse fazer o Danton eu não arriscava fazê-la. Estava desejoso de voltar a trabalhar com o Miguel e sem ele não haveria peça. Mas tinha de ser algo especial, porque o Miguel não pode fazer papéis secundários.”

Jorge Silva Melo está satisfeito com o cruzamento que possibilitou às duas gerações que se encontram em palco. Por um lado o Miguel Borges e por outro os novos actores que o vêem como uma personagem mítica. O encenador adora ver tanta gente em palco, afirma que “isto é 3D, com tanta gente”, e garante que “os jovens actores tem maiores capacidades técnicas, sabem fazer tudo, falar, cantar, chorar (…)” Questiona ainda do futuro destes 44 actores “O que vamos fazer destas pessoas todas que são dignos trabalhadores? Vamos atirá-los para o desemprego daqui a quanto tempo?”

Co-produzida pela Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, o Teatro Nacional D. Maria II e os Artistas Unidos, a peça está em cena no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, a 2 e 3 de Março, seguindo depois para o Teatro Nacional D.Maria II, onde fica de 15 desse mês a 22 de Abril.

Fotografia por Rui Pedro Freitas. Galeria disponível aqui.



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