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Outra Estação

Os caminhos da rádio seguindo o trilho dos antigos e novos formatos de música.

Apesar da música estar mais acessível que nunca, o excesso de informação é um factor presente e no meio de blogues, P2P, lojas online e artigos em publicações online é fácil perder a orientação. O papel desempenhado pelo DJ de rádio tem sofrido uma mutação e a nível internacional existem alguns exemplos de como em qualquer parte do globo é possível emitir e acompanhar a linguagem certa.

Miguel Kellen e Bruno Safara dedicam-se à música de uma forma constante, porque mesmo quando razões profissionais apontam para um caminho diferente, o espírito inquieto de alguns impede a estagnação. Para ambos esta está presente e é a vontade permanente de divulgar, partilhar e desafiar a procura de mais e melhor que os move.

Com a emissão do programa Outra Estação – gravado nos estúdios da UAL na Boavista e emitido na Rádio Zero; complementam uma actividade ligada ao DJing em vários espaços da capital – Estado Líquido, Casino, Frágil – com o papel de DJ radiofónico na divulgação de novas tendências mais ligadas ao universo da música de dança dita alternativa.

Como surgiu a Outra Estação?

Miguel Kellen (MK) – Foi em 2006 quando era animador da Química FM, uma rádio local alternativa, que aliciei o Bruno a fazer o programa comigo.

Bruno Safara (BS) – Eu aceitei, era uma excelente oportunidade para tirar o pó dos discos.

MK – Na Química, ou no éter apenas tivemos dois ou três programas porque entretanto o projecto daquela rádio encerrou.

BS – Nunca chegámos a parar porque surgiu o convite para a Rádio Zero, que transmite apenas online. Até porque a Zero é uma rádio universitária, independente sem fins lucrativos.

MK – Mas a ideia de disponibilizar o programa online esteve sempre nas nossas cabeças porque a Química FM tinha um emissor fraco e mais do que isso nós não queríamos ter barreiras. Queríamos chegar o mais longe possível.

BS – Também estivemos online no Cotonete pela mão da Belita.

MK – Foi aí que alguém no Brasil nos ouviu e pediu licença para transmitir o programa lá na Alagoas Rádio Web

BS – E pelo que sabemos continua ser transmitido.

Como definem o programa?

BS – É uma hora de viagem semanal ao som dos ritmos divulgação de novas sonoridades maioritariamente no campo da electrónica mas percorrendo outras correntes musicais que estão na génese dos diversos estilos musicais.

MK – Para mim vai um pouco mais além. É também um objecto de estudo, porque somos nós todos que estamos a dar inicio ao “podcast”, uns enquanto ouvintes, outros enquanto produtores de conteúdos, e isso muda muita coisa na forma como se faz, e como se ouve rádio. O nosso conceito anda também por ai, uma vez que tudo é electrónico, há imagens que passam, há pelo menos vontade de interligar várias formas de comunicar. E temos sempre o próximo passo pensado.

BS – Já chegamos a 2 anos de transmissões – comemoração aniversário próximo mês de Dezembro no Frágil, um lugar de referência

Qual é o critério que utilizam na selecção musical?

BS – Aposta no que é de vanguarda e inovador. Que vale a pena partilhar. Demonstrar ecletismo nas escolhas. Sempre uma referencia a temas “clássicos” ou que de certa forma marcaram.

MK – Bom senso, e bom gosto.

E onde procuram música?

BS – As novidades e lançamentos chegam nos através de press-releases ou newsletters para além da constante pesquisa nas lojas de discos quer virtuais quer locais. Neste momento os blog são uma importante fonte de divulgação de música.

MK – Por agora é o Bruno que anda por aí na busca constante.

Também dão destaque a alguns convidados.

BS – Um dos conceitos da Outra Estação é a divulgação, com especial atenção aos projectos de produção nacional, daí que regularmente se encontre na nossa playlist algumas dessas novas produções ligadas à música electrónica, House, Tecno e Dubstep, como o caso dos Photonz – recentemente um dos elementos, Marco Rodrigues, foi seleccionado para representar Portugal na edição Red Bull Music Academy 2010 que irá decorrer em Londres, – ou no Disco pela mão do portuense Humberto Matias do projecto Social Disco Club.
Nos programas de duas horas, fazemos questão de  passar um dj set de convidados. Já por cá passaram nomes como Ka §par, Vítor Silveira, Pedro Centeno, Trol2000, Magazino ou Señor Pelota. Ao construir a Outra Estação, sendo que é um meio de divulgação, é da nossa matriz criar uma linguagem sonora coerente para quem está a ouvir um programa de rádio.

MK – E temos ai umas ideias em mente que seria giro por em pratica para promover os nossos DJs e produtores.

Como tiram proveito das novas tecnologias?

MK – Com o podcast conseguimos fazer livremente aquilo que realmente gostamos, alargaram-se as oportunidades. O programa toca numa rádio brasileira, dificilmente chegaríamos lá de outra forma. Tentamos utilizar em pleno aquilo que está ao nosso dispor.

BS – As redes sociais são importantes para a divulgação (facebook / myspace).

A que audiência apontam?

BS – Idealmente “dos 8 aos 80”, mas não sendo esta a nossa realidade porque viajamos num ambiente algo alternativo, queremos abranger um público com valor crítico sobre o que ouve, sejam eles profissionais ou simplesmente bons ouvintes do que melhor, ou talvez nem sempre, do que se tem feito na área da música.

MK – Sim, a todos os que conseguem aceder ao programa. Note-se; logo aí há uma selecção, porque infelizmente nem todos têm acesso à internet, por isso a vontade de entrar também no FM.

E quais são as vantagens e desvantagens em relação à rádio hertziana?

BS – Por seremos uma rádio online temos a vantagem de não estarmos presos a um local, região ou pais…

MK – Sinto-me o Charles de Gaulle a enviar mensagens através da BBC para a França ocupada durante a segunda grande guerra.

BS – somos ouvidos por um português em praga que todas as semanas aguarda pelo nosso programa.

MK – Talvez seja menos democrática a transmissão via internet. Com um transístor simples e barato pudemos ouvir um programa de rádio sem quaisquer encargos em qualquer local. É a tal ubiquidade da rádio.

Como definem a diferença entre DJ na rádio e DJ no bar/clube?

BS – Na rádio, estás a comunicar para um auditório global, não consegues ter reacções imediatas das pessoas/ouvintes enquanto que num clube é exactamente o contrário.

MK – Faltam-nos pessoas à frente é um facto, mas sempre há a possibilidade de imaginar. Gosto muito da rádio.

Entre clássicos e novidades, músicas que definem o programa:

Lindstrom – Another Station
Donald Byrd – Love as come around
Detroit Experiment – Think Twice
Quiet Village – Victoria’s Secret
Moodymann – Tecnhologystolemyvinyle
Code 718 – Equinox – Henrik Schwarz Remix
Marvin Gaye – What’s Going On
Still Going – Untitled Love
Tensnake – Holding back (my love)
Sly Mongoose – Snakes & Ladder (Rub N Tug Remix)
Mr Fingers – Can You Feel It
Omar S – Phychotic Photosynthesis
Slight Delay – Can You Feel It!
Mendes & Alçada – Coaster
Photonz – No Fear
LCD Soundsystem – 45:33
Darkstar – Aidy’s Girl’s A Computer
Delia Gonzalez & Gavin Russom – Revelee (Carl Craig Mix)
Moderat – Out of Sight



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