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“A Outra Mulher” de Daniel Silva

Com a traição no sangue.

O crescimento dos personagens é um dos principais desafios para um autor, um processo que, muitas vezes, leva a passos arriscados e que mudam, para melhor ou pior, a forma e conteúdo da obra como um todo.

E foi esse o caminho traçado por Daniel Silva desde Casa de Espiões, livro que confirmou a intenção de retirar o lendário espião Gabriel Allon do terreno e transformá-lo no novo líder do Departamento, designação pelo qual é conhecido o competente serviço de espionagem israelita.

E é sob esse papel que o voltamos a encontrar em A Outra Mulher (Harper Collins, 2019), décimo oitavo tomo da série e o mais recente capitulo das aventuras do ex-restaurador de arte, e espião, e que leva o leitor numa viagem entre Moscovo, Hungria, Áustria, Israel, Espanha, Inglaterra, Canadá e Estados Unidos da América.

No epicentro da trama está uma misteriosa francesa, esquecida por terras da Andaluzia, que começa a escrever um livro de memórias que pode revelar uma conspiração que abalará a segurança mundial, em especial porque estão envolvidos espiões e segredos nunca antes revelados.


Mais uma vez, Gabriel Allon está atento ao que se passa nos meandros da espionagem internacional. E tudo leva a crer que um acidente nas ruas de Viena pode esconder muito mais que o “simples” assassinato do ativo israelita mais importante no seio dos serviços secretos russos quando este tentava desertar em Viena, sob a atenta vigilância do pessoal do Departamento. E, avaliada toda a operação, o principal suspeito do crime é… Allon.

Tudo aponta para uma fuga de informação, mas ninguém entende como tal pode ter acontecido. Para esclarecer esse mistério, são convocados alguns dos frequentes colaboradores de Allon, em especial Eli Lavon, Mikahail Abramov, Yaakov Rossman, Dina Sarid, Uzi Navot, Christopher Keller ou Graham Seymour, e dá-se então início a um jogo que pretende provar a inocência de Allon mas também derrubar uma ameaça que pode colocar em causa a relação entre alguns dos países mais poderosos do planeta.

A investigação torna-se mais complexa a cada página, e, entre as décadas de 1950 e 1960 e o presente, vamos conhecendo histórias há muito esquecidas e escondidas. A narrativa mantém a habitual elegância da escrita de Daniel Silva e os intrincados detalhes fazem, mais uma vez, a diferença, e levam-nos a devorar as páginas com a avidez de saber como tudo terminará.  

Ao contrário de outros livros da série cujo ritmo se assumia frenético, A Outra Mulher não necessita de tanta urgência ou vertigem na trama para conseguir ser um (muito) bom livro. Em contrapartida, oferece uma narrativa elaborada e madura, rica nos tais detalhes, que traça um compromisso de maior intimidade com o leitor, muitas vezes em tom confessional.     



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